Aliado de Trump ataca Lula e Moraes por inquérito contra Flávio Bolsonaro: "Isso é normal?"

Aliado de Trump ataca Lula e Moraes por inquérito contra Flávio Bolsonaro: “Isso é normal?”

Resumo

Aliado de Trump critica Lula e Moraes por inquérito contra Flávio Bolsonaro e questiona “normalidade” da situação.

Jason Miller, ex-conselheiro de Donald Trump e figura próxima ao ex-presidente americano, manifestou forte desaprovação à abertura de um inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visa apurar possíveis crimes de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em sua conta na rede social X, Miller compartilhou a notícia e declarou: “Como isso é normal? Lula e seu parceiro do STF Alexandre de Moraes estão tentando usar o manual de instrumentalização judicial de Joe Biden contra Flávio Bolsonaro”. A declaração estabelece um paralelo com alegações de uso político da máquina pública nos Estados Unidos.

A comparação feita por Miller remete a um relatório oficial divulgado em dezembro de 2024 pelo Subcomitê Especial da Câmara dos Deputados dos EUA sobre a Instrumentalização do Governo Federal. O documento, com 17 mil páginas, detalha supostos casos de uso do aparato estatal americano contra opositores durante a administração Biden, incluindo pressões sobre o Facebook para censura e coordenação com ex-integrantes da inteligência para interferir nas eleições de 2020.

Inquérito contra Flávio Bolsonaro tem origem em postagem nas redes sociais

O inquérito que gerou a crítica de Jason Miller foi determinado por Alexandre de Moraes na última segunda-feira (13) e tornado público na quarta-feira (15). A investigação atende a uma representação da Polícia Federal (PF), que identificou uma postagem de Flávio Bolsonaro nas redes sociais como potencial calúnia ao presidente Lula. Na publicação, o senador afirmou que “Lula será delatado” e fez associações com o Foro de São Paulo e crimes como tráfico de drogas.

Segundo a decisão de Moraes, a postagem foi realizada “em ambiente virtual público, acessível a milhares de pessoas”, e atribui “fatos criminosos ao presidente da República”. A Procuradoria-Geral da República, representada por Paulo Gonet, e o Ministério da Justiça, com Wellington César Lima e Silva, também apoiaram a solicitação de investigação. A PF terá 60 dias para concluir a apuração.

Senador Flávio Bolsonaro e entidade de juristas criticam a decisão

O senador Flávio Bolsonaro reagiu ao inquérito, classificando-o como “juridicamente frágil” e uma “tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar”. Ele argumenta que a investigação representa um ataque à sua imunidade parlamentar e à liberdade de expressão.

A Associação Lexum, que reúne juristas em defesa das instituições, também apontou falhas na decisão do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a entidade, a decisão não examinou os requisitos básicos do crime de calúnia, como a especificidade do fato imputado e a intenção deliberada de caluniar, distinguindo-a da crítica política. A Lexum questionou ainda o avanço sobre a imunidade parlamentar sem justificativa adequada e a imparcialidade de Moraes em casos envolvendo o entorno político de Jair Bolsonaro.

Jason Miller se consolida como crítico de Moraes e do governo Lula

Jason Miller tem se destacado como um dos aliados de Donald Trump mais vocais na crítica às ações do Judiciário brasileiro e do governo Lula no exterior. O ex-conselheiro utiliza suas redes sociais para denunciar o que chama de “ordens de censura” emitidas pelo Judiciário brasileiro e tem expressado apoio à família Bolsonaro, reforçando sua posição como aliado político.

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