Zema aposta em discurso anti-STF para 2026 após embate com Gilmar Mendes e define estratégia eleitoral
A troca pública de farpas entre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acirrou a pré-campanha presidencial do mineiro. Zema consolidou o STF como um alvo central em sua estratégia política, buscando ampliar sua visibilidade e marcar posição na disputa pelo Planalto.
O embate público ganhou força após Gilmar Mendes criticar Zema por atacar o STF, lembrando que o ex-governador já recorreu à Corte em benefício das contas de Minas Gerais. Em resposta, Zema declarou que não se sente intimidado e continuará criticando o tribunal, aprofundando o confronto.
“Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política, que jogam tudo para debaixo do tapete e resolvem nas escondidas. Comigo é diferente”, afirmou o pré-candidato. Essa estratégia de confrontar o STF é vista como uma tentativa de Zema de se destacar no cenário nacional, explorando um sentimento de insatisfação com o Judiciário que mobiliza parte do eleitorado da direita.
Propostas de Reforma para o STF
Ao lançar as diretrizes de sua pré-campanha, Romeu Zema reforçou que o enfrentamento ao Supremo Tribunal Federal será um dos eixos centrais de sua estratégia eleitoral. Caso eleito, Zema pretende propor mudanças estruturais na Corte, incluindo a implementação de mandatos para ministros e novas regras de funcionamento, sob o argumento de “moralização” do Judiciário.
“A primeira coisa que eu vou fazer é acabar com a farra dos intocáveis”, declarou o ex-governador em um evento recente. Entre as propostas apresentadas, Zema defende a criação de mandatos de 15 anos para ministros do STF, com uma idade mínima de 60 anos para a indicação. Ele também propõe restrições à atuação de parentes de ministros em atividades com potencial conflito de interesses.
Zema busca espaço nacional e dialoga com eleitorado da direita
Ao colocar o STF no centro de sua pré-campanha, Romeu Zema dá um passo importante para sair do plano regional e disputar espaço no debate nacional. O confronto com a Corte, intensificado após a troca de críticas com Gilmar Mendes, é visto por integrantes do Novo como uma forma de ampliar a visibilidade e inserir o mineiro em uma agenda que mobiliza parte relevante do eleitorado da direita.
Lideranças políticas admitem que, ao adotar um discurso mais duro contra o STF, incluindo críticas ao que chamam de “ativismo judicial” e propostas de reformulação da Corte, o pré-candidato tenta ocupar um espaço já explorado por outros nomes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro. A revisão do papel e do funcionamento do STF é apresentada como prioridade sob o argumento de “moralização” do Judiciário.
Pesquisas indicam desgaste do STF e janela para críticas
A estratégia de Zema ocorre em meio a um crescente desgaste do STF junto ao eleitorado. Uma pesquisa Datafolha indica que 75% dos brasileiros avaliam que a Corte tem poder demais, enquanto 71% a consideram essencial para a democracia. Essa avaliação cria uma janela para discursos críticos ao Judiciário, segundo os articuladores do partido Novo.
Para o cientista político Luiz Felipe D’Ávila, as propostas de Zema visam restabelecer a função constitucional do STF, fazendo com que a Corte volte a ser uma intérprete da Constituição, sem o poder de legislar. A pesquisa Datafolha foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, com 2.004 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais.
Estratégia de confronto: ganhos e limites
Especialistas apontam que a estratégia de confronto adotada por Romeu Zema tende a produzir ganhos imediatos em visibilidade, mas também impõe limites à expansão de sua candidatura. Ao focar no embate com o STF, o pré-candidato amplia sua projeção nacional e reforça a conexão com sua base, mas enfrenta desafios para dialogar com setores mais ao centro e construir alianças mais amplas.
O advogado eleitoral Roosevelt Arraes alerta que, embora críticas ao Judiciário façam parte do debate democrático, declarações inverídicas ou sem provas podem gerar responsabilização jurídica. Ele ressalta que manifestações mais duras, como defesa de prisão ou impeachment de ministros, entram em uma zona sensível, podendo ser interpretadas como abuso de liberdade de expressão se sem base concreta.
A tensão com o Judiciário ganhou um novo componente após declarações do ministro Dias Toffoli, que afirmou que ataques a instituições com objetivo eleitoral podem ser punidos, com possibilidade de cassação de mandato e inelegibilidade. Para Elias Tavares, cientista político, essas falas elevam o custo da estratégia de Zema, que precisa manter o discurso mobilizador sem ultrapassar limites que gerem consequências jurídicas.