Gilmar Mendes critica associação do caso Master ao STF e excessos na imunidade parlamentar
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, demonstrou enfática contrariedade à tentativa de vincular o escândalo envolvendo o Banco Master à imagem da Praça dos Três Poderes. Em entrevista à TV Record, Mendes classificou a manobra como uma “maldade”, ressaltando que o foco da investigação deve permanecer no sistema financeiro.
“Há uma maldade em tentar transferir o caso Master para a Praça dos Três Poderes. O Master continua residindo na Faria Lima”, declarou o ministro, indicando que a crise é mais ampla e envolve instituições como o Banco Central e a CVM. Ele minimizou qualquer envolvimento direto de membros do STF, considerando-o “marginal”.
A crise do Banco Master, segundo Gilmar Mendes, revela fragilidades sistêmicas no setor financeiro, com bancos de grande porte comercializando CDBs da instituição. Essa observação, divulgada em entrevista ao programa JR Entrevista, da TV Record, aponta para a necessidade de uma análise profunda das regulamentações e práticas do mercado. Conforme informação divulgada pelo canal, o ministro reforçou que a investigação deve focar nas falhas do sistema financeiro, e não em associações politiqueiras.
STF debate limites da imunidade parlamentar diante de críticas e acusações
Gilmar Mendes abordou também a crescente discussão no STF sobre os limites da **imunidade parlamentar**, especialmente em casos onde políticos utilizam seus cargos para fazer críticas e acusações contra autoridades públicas. Ele mencionou que a Corte tem debatido intensamente “o que está coberto pela imunidade e o que extravasa”.
O ministro criticou a postura de alguns parlamentares que, segundo ele, aproveitam momentos, especialmente em períodos eleitorais, para **atacar o Supremo Tribunal Federal**. Essa declaração surge em meio a embates recentes envolvendo o próprio Gilmar Mendes, o ex-governador Romeu Zema e o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado.
Alessandro Vieira, em seu parecer na CPI, tentou indiciar Gilmar Mendes e outros ministros do STF, além do procurador-geral da República. O pedido, no entanto, foi rejeitado. Mendes destacou que a imunidade parlamentar não pode servir de escudo para “xingamentos” ou “abusos de autoridade” contra agentes públicos no exercício de suas funções.
Ironia com Romeu Zema e crítica a pedidos de impeachment
Em relação a Romeu Zema, Gilmar Mendes ironizou o ex-governador, afirmando que ele fala um “dialeto próximo do português” e que suas falas, por vezes, são ininteligíveis. Ele espera que as críticas de Zema ao STF sejam apuradas “naquilo que for inteligível”, ressaltando a necessidade de que a Procuradoria e a Polícia Federal analisem as declarações.
O ministro reiterou que o STF precisou intervir em momentos cruciais, como durante a pandemia de Covid-19, e que as condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro e ao governo Bolsonaro geram reações de políticos que buscam “palanque” atacando a Corte.
Comparação de Bolsonaro a Jim Jones e “política de matança geral”
Gilmar Mendes fez uma comparação contundente entre a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia e a do líder sectário Jim Jones, responsável por um suicídio coletivo. Segundo o ministro, o STF agiu para conter uma política que colocava vidas em risco, impedindo o que ele chamou de **”política de matança geral”**.
Ele criticou os pedidos de impeachment contra ministros, rotulando-os como uma tentativa de constranger e atemorizar o Judiciário. Para Mendes, esses pedidos, muitas vezes sem fundamento, visam criar um clima de perseguição. A atuação do STF, conforme ele explicou, foi de **proteção à vida e às instituições**, o que gerou reações políticas de setores que agora acusam a Corte de “uso abusivo do impeachment”.
Relação “esquizofrênica” com o Congresso e autocontenção
O ministro descreveu a relação da sociedade e da política com o STF como “esquizofrênica”, onde se critica a interferência da Corte ao mesmo tempo em que se recorre a ela para solucionar impasses políticos, como o caso do orçamento secreto. Mendes mostrou-se cético quanto a propostas de um Código de Ética externo para os ministros, defendendo que as reformas devem ser realizadas internamente, citando como exemplo positivo a gestão da ministra Rosa Weber.