Gilmar Mendes caçoa de Zema e governador rebate: "Brasileiros simples não entendem e não vão mais aceitar atos do STF"

Gilmar Mendes caçoa de Zema e governador rebate: “Brasileiros simples não entendem e não vão mais aceitar atos do STF”

Resumo

Gilmar Mendes e Romeu Zema trocam farpas após ministro criticar sotaque do governador

O clima político esquentou nesta quarta-feira (22) com uma troca de farpas entre o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), e o pré-candidato à Presidência da República e governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A polêmica teve início após Gilmar Mendes fazer comentários jocosos sobre o sotaque de Zema, comparando-o a um “dialeto do Timor Leste”.

Em entrevista ao programa JR Entrevista, da TV Record, Gilmar Mendes declarou que o português falado por Zema é de difícil compreensão, sugerindo que o governador se expressa em “um dialeto próximo do português”. Ele chegou a ironizar que a fala de Zema lembrava “uma língua lá do Timor-Leste, um tétum ou coisa assim”.

A resposta de Romeu Zema não tardou e veio com forte teor crítico, utilizando suas redes sociais para rebater o ministro. O governador de Minas Gerais argumentou que o problema não era a sua forma de falar, mas sim a dificuldade que os brasileiros enfrentam para entender as decisões e os atos do STF. Conforme informação divulgada pelo próprio governador em suas plataformas digitais, a declaração de Zema foi feita em sua conta no X.

Zema acusa STF de “português esnobe” e “atos incompreensíveis”

Para Zema, a diferença de linguagem reside na distinção entre o “linguajar de brasileiros simples” e o “português esnobe dos intocáveis de Brasília”. Ele enfatizou que a questão central não é a sua dificuldade de comunicação, mas sim a falta de clareza e aceitação popular em relação às ações do Supremo Tribunal Federal. Essa crítica direta aponta para uma desconexão percebida entre a Corte e a população.

O governador mineiro foi além, acusando Gilmar Mendes de recorrer ao “autoritarismo para calar os que criticam o comportamento de ministros do supremo”. Zema também alegou que o ministro teria “perdido a noção do que separa o público do privado”, concluindo que tais atitudes “é isso o que nós não vamos mais aceitar”. A fala de Zema reflete um sentimento de insatisfação crescente com o que ele percebe como excessos por parte de alguns membros do judiciário.

Partido Novo repudia fala de Gilmar Mendes e acusa ministros de arrogância

O partido Novo, ao qual Romeu Zema é filiado e pré-candidato à presidência, também se manifestou em repúdio à declaração de Gilmar Mendes. Em nota publicada na rede social X, a legenda classificou a fala do ministro como um sinal de “arrogância de quem se considera acima das leis e do resto dos brasileiros”.

A legenda criticou o que chamou de “intocáveis rindo do povo, enquanto vivem do nosso dinheiro e abusam do nosso país”. A declaração do Novo reforça o discurso de Zema sobre uma suposta desconexão da elite política e jurídica com a realidade da população brasileira, alimentando o debate sobre a legitimidade e a transparência das ações do STF.

Contexto: Zema sob investigação e críticas ao STF

É importante notar que Romeu Zema tem adotado um tom provocador e de deboche em suas redes sociais desde que foi incluído em um inquérito do STF sobre fake news. A inclusão ocorreu após a divulgação de um vídeo considerado satírico. Gilmar Mendes foi o responsável por solicitar a investigação de Zema por meio de uma notícia-crime encaminhada a Alexandre de Moraes, ministro relator do inquérito.

Desde então, o governador mineiro tem feito dos magistrados do Supremo alvo de suas postagens, frequentemente referindo-se a eles como “os intocáveis”. Essa estratégia de comunicação busca capitalizar o descontentamento popular com o judiciário e se posicionar como uma voz crítica em meio ao cenário político eleitoral, reforçando sua imagem de outsider.

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