PSD contesta Alerj no STF sobre quem deve chefiar o Executivo fluminense e pede manutenção do presidente do TJRJ no cargo.
O Partido Social Democrático (PSD) apresentou uma nova peça no complexo tabuleiro político do Rio de Janeiro, dirigindo-se ao Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar um pedido da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A sigla busca garantir que o atual presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto, permaneça como chefe do Executivo fluminense, em vez do recém-eleito presidente da Alerj, Douglas Ruas (PL).
A ação do PSD ocorre um dia após a Alerj ter solicitado ao STF que Douglas Ruas assumisse a chefia do Poder Executivo. Para o PSD, a permanência do presidente do TJRJ é um pilar fundamental para assegurar a **neutralidade institucional** e a **paridade de armas**, especialmente em um cenário que pode culminar em uma eleição suplementar para o governo do estado.
A legenda argumenta que a definição de quem assume o governo de transição é um marco temporal crítico e que qualquer alteração neste momento poderia intensificar a já acentuada crise política vivenciada pelo Rio de Janeiro. Além disso, o PSD sustenta que a Alerj sequer teria a prerrogativa de intervir neste processo, utilizando como base a rejeição anterior do ministro Luiz Fux a um pedido similar formulado pelo PL.
STF aguarda definição sobre eleição suplementar no Rio de Janeiro
O Supremo Tribunal Federal ainda não proferiu uma decisão definitiva sobre quem será o responsável por eleger o novo governador do estado: os deputados estaduais ou a população. O ministro Flávio Dino solicitou vista dos autos para aguardar a publicação do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referente ao processo que envolve o ex-governador Cláudio Castro (PL).
A publicação, que ocorreu na quinta-feira (23), declarou Cláudio Castro **inelegível**. No entanto, a corte eleitoral considerou que a cassação de seu mandato perdeu o efeito prático devido à sua renúncia prévia ao cargo. Essa decisão tem implicações diretas na sucessão e na necessidade de uma eventual eleição suplementar.
PDT busca anular eleição de Douglas Ruas na Alerj
Em uma frente paralela, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) está empenhado em anular a eleição de Douglas Ruas para a presidência da Alerj. O partido contesta a modalidade de votação aberta adotada e pleiteia a realização de um novo processo eleitoral, desta vez com voto secreto. O PDT justifica seu pedido argumentando que a exposição dos votos pode expor os parlamentares a possíveis **represálias**, especialmente aqueles que votaram contra o atual presidente da Alerj, que, pela linha sucessória, pode vir a assumir o governo.
Crise sucessória no Rio de Janeiro: um histórico de instabilidade
A atual instabilidade política no Rio de Janeiro tem raízes profundas que remontam a maio de 2025. Naquela ocasião, o então vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir uma posição no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Posteriormente, no final do mesmo ano, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), foi afastado sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
Esses eventos deixaram Cláudio Castro em uma posição vulnerável, sem uma linha sucessória clara definida. A situação se complicou com o julgamento no TSE e sua subsequente renúncia, motivada pela intenção de concorrer ao Senado. A renúncia de Castro deflagrou um **vácuo de poder** no estado, cenário que levou o presidente do TJRJ a assumir interinamente o comando do Executivo fluminense.