Juliano Cazarré rebate críticas e define o que é ser um homem forte diante de polêmica envolvendo evento sobre masculinidade
O ator Juliano Cazarré, conhecido por seus papéis na TV e no cinema, tem gerado debates intensos fora das telas ao abordar o tema da masculinidade. Após lançar um evento voltado para o fortalecimento masculino, intitulado “O Farol & a Forja”, Cazarré se viu no centro de uma onda de críticas, especialmente vindas de colegas de profissão e de setores identificados com a esquerda.
A controvérsia surgiu quando o evento foi associado, nas redes sociais, a movimentos como o “red pill”, que disseminam visões consideradas machistas e violentas contra a mulher. Vídeos associados a essa lógica, mostrando simulações de agressão, viralizaram, aumentando a polarização.
Em entrevista ao portal Gazeta do Povo, Cazarré buscou esclarecer suas intenções e defender sua visão de masculinidade, dissociando-a de qualquer forma de violência. Ele atribuiu a repercussão negativa a uma “distorção profunda” do que realmente significa ser forte. Conforme informação divulgada pelo Gazeta do Povo, o ator declarou que o evento visa encorajar homens a serem presentes na família, a ajudarem suas esposas e a cuidarem dos filhos, indo além do foco exclusivo no trabalho e na provisão financeira.
A visão de Cazarré sobre masculinidade e paternidade
“Quero que os homens tenham acesso a conteúdos sobre ser família e ser presente. Falar sobre voltar para casa para ajudar a mulher a colocar as crianças na cama, ficar com a esposa e cuidar dela. Não é só pensar em dinheiro e pensar em trabalho”, afirmou Cazarré. Ele enfatizou que a força masculina não se manifesta através da violência, mas sim da capacidade de manter decisões corretas para o bem, de resistir a vícios como bebida e pornografia, e de ter autocontrole, inclusive com a alimentação.
A proposta do evento “O Farol & a Forja” é, segundo o ator, fortalecer os homens e auxiliá-los a encontrar propósitos genuínos. Cazarré expressou surpresa com a “reação tão virulenta” que recebeu, especialmente de colegas de profissão. Ele mencionou que atrizes como Marjorie Estiano, Cláudia Abreu, Guta Stresser e Julia Lemmertz fizeram comentários críticos em seu perfil, associando seu discurso a “feminicídio” e ao uso indevido do nome de Cristo.
“Ser forte é manter uma decisão que a sua inteligência identificou como correta para o bem. Eu quero que os homens sejam fortes: fortes diante da bebida, da pornografia, da traição. Fortes diante de um prato de comida exagerado, com muito além do que precisam para serem pessoas saudáveis e funcionais”, explicou o ator.
Reação e apoio inesperados
Cazarré relatou que não esperava uma resposta tão negativa e intensa, embora soubesse que haveria alguma oposição. No entanto, ele também se disse surpreendido pelo volume de apoio recebido, que incluiu cerca de 500 mil novos seguidores em seu Instagram em poucos dias e diversas manifestações de solidariedade. Muitos colegas de profissão, segundo ele, o apoiaram de forma discreta, enviando mensagens privadas.
“Muita gente, do meio também, me manda mensagem dizendo ‘fica firme, é isso aí’, mas no privado, no WhatsApp”, revelou. O ator confessou sentir-se chateado com os ataques, pois acredita que sua conduta ao longo de 20 anos de carreira é conhecida e respeitada no meio artístico. Ele se descreve como “um cara normal, que se diverte com todo mundo, que trata bem as pessoas”, e lamenta a criação de uma “caricatura” de machão.
A importância da presença paterna, segundo Cazarré
A paternidade se tornou um pilar central na vida de Juliano Cazarré, especialmente após sua conversão ao catolicismo e o nascimento de seus filhos. Ele ressalta a importância insubstituível do pai na vida das crianças. “É fundamental que as crianças tenham a figura do pai. Mesmo quando o casal se separa, é uma verdade autoevidente, pelos dados que temos, que o contato com o pai é insubstituível”, declarou.
Cazarré citou dados do Censo de 2022 do IBGE, que indicam 7,8 milhões de mulheres criando filhos sem a presença paterna no Brasil, um aumento significativo desde 2000. Ele também mencionou estudos, como uma revisão publicada na revista Psychology, Crime & Law em 2020, que associam a ausência paterna a um maior risco de envolvimento com o crime na adolescência.
O ator reforçou que ações simples, como pais lendo para os filhos, trazem benefícios duradouros, melhorando a comunicação, compreensão e inteligência das crianças. “Esse evento existe também para espalhar a mensagem de que é preciso cuidar dos filhos”, concluiu.