Moraes ignora pedido de cirurgia de Bolsonaro e foca em elevador
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, tomou uma decisão que gerou controvérsia nesta terça-feira (28). Ele ignorou um pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para a realização de uma cirurgia no ombro. Bolsonaro, que está em prisão domiciliar há um mês, aguarda há uma semana a autorização para o procedimento médico.
A situação se torna ainda mais peculiar, pois o pedido cirúrgico já conta com um parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. Enquanto isso, em um despacho separado, Alexandre de Moraes determinou que a defesa apresentasse os nomes de técnicos para a reforma de um elevador, outro pedido da defesa de Bolsonaro relacionado à sua prisão domiciliar.
Essa escolha de prioridades por parte do ministro levanta questionamentos sobre a agilidade na concessão de autorizações médicas para o ex-presidente. Conforme informações divulgadas, a defesa informou a necessidade de manutenção preventiva mensal do elevador no local onde Bolsonaro cumpre sua pena, com início previsto para 30 de abril de 2026.
Bolsonaro sofre com lesão no ombro e dores recorrentes
Aos 71 anos, Jair Bolsonaro enfrenta uma lesão no manguito rotador, um conjunto de músculos essenciais para a estabilidade do ombro. Problemas nessa região podem causar dores intensas e fraqueza, especialmente durante a noite, o que tem afetado o bem-estar do ex-presidente.
As queixas sobre a condição de saúde de Bolsonaro foram inicialmente reveladas pelo cardiologista Brasil Caiado, que lidera a equipe médica do ex-presidente. Em uma coletiva de imprensa após a alta hospitalar, Caiado detalhou os problemas enfrentados por Bolsonaro.
Na semana passada, a defesa de Bolsonaro apresentou ao STF relatórios médicos que comprovam as dores recorrentes e intermitentes no ombro, tanto em repouso quanto durante movimentos. A indicação cirúrgica surge em um momento em que Bolsonaro apresentava melhora em seu quadro geral de saúde.
Recuperação de saúde e a espera pela cirurgia
A necessidade da cirurgia ocorre após Bolsonaro se recuperar de um quadro de broncopneumonia bilateral. Sob a coordenação do cardiologista Brasil Caiado, a equipe médica registrou melhorias significativas no cansaço, no refluxo e na disposição física do ex-presidente.
Apesar da recuperação geral e do parecer favorável da Procuradoria, a autorização para a cirurgia no ombro ainda não foi concedida por Alexandre de Moraes. A defesa de Bolsonaro segue aguardando um posicionamento do ministro sobre o procedimento.
Prisão domiciliar e o contexto legal
Jair Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão, determinada pela suposta tentativa de golpe de Estado. Ele está em regime de prisão domiciliar desde o dia 27 de março, em meio a diversas decisões judiciais e pedidos de sua defesa.
A demora na autorização para a cirurgia, contrastando com a atenção dada a outros pedidos, como a manutenção do elevador, tem sido um ponto de atenção e debate sobre a condução do caso pelo STF.