Primeiro de Maio sem Lula: Feriado Trabalhista em Meio a Reveses e Críticas de Aliados
O feriado de 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, ganha contornos diferentes em 2024. Marcado por uma semana de derrotas significativas para a esquerda no Congresso Nacional, a data não contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em atos públicos. A ausência de Lula, que realizou um pronunciamento em rede nacional na noite de quinta-feira (30), segue um padrão de anos anteriores, mas acende debates sobre a estratégia política em um momento delicado.
Enquanto o chefe do Executivo opta por não participar dos eventos, o foco dos aliados se concentra na capital e região metropolitana de São Paulo, com agendas fragmentadas. A ausência presidencial, em um ano eleitoral e após reveses legislativos, tem gerado repercussão, com críticas públicas de figuras importantes dentro da própria base governista. A expectativa é de um feriado com menor visibilidade para o governo federal.
A semana que antecede o 1º de Maio foi particularmente difícil para o governo, com a primeira rejeição de um indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 132 anos e a reversão de um projeto de lei que poderia beneficiar condenados pelos atos de 8 de janeiro. Conforme informação divulgada pela imprensa, a combinação desses fatores contribui para o cenário de apreensão e para a crítica à estratégia de comunicação do presidente neste feriado.
Derrotas no Congresso Sacodem a Base Aliada
A tradição de aprovação de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi quebrada na última semana, quando o advogado-geral da União, Jorge Messias, não obteve o aval do Senado. Pela primeira vez em 132 anos, o Planalto viu um indicado ser rejeitado, em uma articulação atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Este revés abalou a base governista, demonstrando a força da oposição no Congresso.
No dia seguinte, a oposição obteve outra vitória ao restabelecer o projeto de lei da dosimetria. Esta medida tem o potencial de reduzir as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo suposto plano golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A aprovação da dosimetria representa um duro golpe para a narrativa do governo e um alívio para setores da direita.
Atos Fragmentados em São Paulo e Críticas de Janones
Sem a presença de Lula, os atos do 1º de Maio se concentram em São Paulo, com agendas divididas entre aliados. O ministro Guilherme Boulos participará de um evento no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local emblemático na trajetória de Lula. Fernando Haddad, ex-ministro e pré-candidato ao governo de São Paulo, dividirá seu tempo entre São Bernardo e um ato da Força Sindical na capital.
O deputado federal André Janones, aliado do presidente, criticou publicamente a ausência de Lula. Em suas declarações, Janones lamentou o que chamou de “Primeiro de Maio apagado, sem força”. Para ele, o presidente perdeu uma “oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país” para discutir pautas importantes, como o fim da escala 6×1, que ele considera a “maior conquista dos trabalhadores desde a promulgação da CLT”.
O Legado de um Primeiro de Maio “Mal Convocado”
Janones expressou frustração com o que percebe como oportunidades perdidas pelo governo. Ele comparou a situação à confiança depositada na aprovação do indicado ao STF, lembrando que “as pesquisas são falsas e que a eleição está batida”. A crítica de Janones ressalta a insatisfação de parte da base com a gestão da comunicação e da agenda política em momentos cruciais.
Em sua última participação em um evento de 1º de Maio, em 2024, Lula criticou a organização do ato, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas na Neo Química Arena. Na ocasião, o presidente classificou o evento como “mal convocado”, cobrando o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, por não ter “feito o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar”.
Fim da Escala 6×1: Pauta Central em Disputa
O feriado deste ano ocorre em meio à articulação do governo para aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 antes das eleições. A proposta é vista como um ponto central para a campanha eleitoral, mas enfrenta resistência do setor produtivo. Estudos divulgados por esse setor indicam possíveis impactos negativos no Produto Interno Bruto (PIB), dividindo o debate entre a rejeição total e a discussão para o próximo mandato.