Lula Ausente no 1º de Maio: Ato Trabalhista Pós-Derrotas Históricas da Esquerda no Congresso e Críticas de Aliado

Resumo

Primeiro de Maio com ausência de Lula e rescaldo de derrotas políticas para a esquerda

O feriado do Dia Internacional do Trabalhador, nesta sexta-feira (1º), ocorre sob a sombra de reveses políticos significativos para a esquerda brasileira. Marcado pela “ressaca petista” após duas derrotas expressivas no Congresso Nacional, o evento não contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula realizou um pronunciamento em rede nacional na véspera, mas, assim como em 2025, optou por não participar das mobilizações.

Sem a presença do chefe do Executivo, a agenda do dia se concentra na capital e região metropolitana de São Paulo, com atos organizados de forma fragmentada por aliados. A ausência do presidente gerou críticas, inclusive de figuras próximas ao governo, que veem uma oportunidade histórica perdida para mobilizar a população em torno de pautas trabalhistas importantes.

A semana que antecedeu o feriado foi marcada por eventos que abalaram a base aliada do governo. A tradição de aprovação de indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi quebrada com a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, pelo Senado. Além disso, a oposição conseguiu restabelecer um projeto de lei que pode impactar as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. Conforme informações divulgadas, o feriado ocorre em meio à articulação do governo para aprovar o fim da escala de trabalho 6×1, proposta que enfrenta resistência do setor produtivo.

Ministros e pré-candidatos representam o governo em atos em São Paulo

Na ausência de Lula, figuras importantes do governo e da política se farão presentes nos eventos. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), participará de um ato no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, local que historicamente lançou Lula para a projeção nacional. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), dividirá seu tempo entre São Bernardo do Campo e um ato da Força Sindical na Liberdade, capital paulista.

As pré-candidatas ao Senado, ex-ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), também estarão presentes no ato no bairro da Liberdade. A participação dessas lideranças busca demonstrar a força e a continuidade das pautas trabalhistas, mesmo sem a presença do presidente em eventos públicos de rua.

Derrotas no Congresso marcam a semana do Dia do Trabalhador

A semana foi particularmente adversa para a esquerda no âmbito legislativo. A primeira grande derrota ocorreu quando o Senado, pela primeira vez em 132 anos, votou contra a indicação do Planalto para o STF, rejeitando o nome de Jorge Messias. A articulação para a rejeição é atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No dia seguinte, a oposição obteve sucesso ao restabelecer o projeto de lei da dosimetria, que pode diminuir as penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro e pelo suposto plano golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Críticas de André Janones à ausência de Lula e um “Primeiro de Maio apagado”

O deputado federal André Janones (Avante-MG), aliado do governo, criticou publicamente a ausência de Lula. Em sua visão, o presidente “perde uma oportunidade histórica de convocar manifestações em todo o país” em torno de uma causa que transcende divisões políticas. Janones argumenta que este seria o “último Dia do Trabalhador sob a vigência da escala 6×1”, e que Lula, como ex-metalúrgico, deveria capitalizar essa data para promover a “maior conquista dos trabalhadores desde a promulgação da CLT”.

“Infelizmente, nada disso está acontecendo. O que temos hoje é um Primeiro de Maio apagado, sem força e muito aquém do que a data e o momento histórico mereciam. As chances estão passando uma por uma, a gente perdendo todas”, lamentou o parlamentar, comparando a situação com a confiança excessiva nas pesquisas eleitorais e na indicação de Messias.

Lula já criticou eventos anteriores por “má convocação”

A ausência de Lula em atos públicos no Dia do Trabalhador não é inédita. Em 2024, o presidente participou de um evento na Neo Química Arena, em São Paulo, que reuniu pouco mais de 1.660 pessoas. A baixa adesão irritou o presidente, que chegou a cobrar publicamente o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo. “Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato e eu disse para ele: ‘Márcio, o ato está mal convocado. O ato está mal convocado. Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar'”, criticou Lula na ocasião.

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