A crise de representatividade e a ânsia por um líder autêntico em tempos de incertezas políticas.
De tempos em tempos, as nações são abaladas por um mesmo evento: a eleição de quem guiará o destino de seu povo. É um momento vertiginoso, marcado por movimentos calculados e estratégias ocultas. Acima de tudo, é um momento de julgamento, no qual as pessoas se veem refletidas na urna e decidem o futuro que almejam.
Contudo, a realidade muitas vezes deixa a desejar. Como alertou Nicolás Gómez Dávila, neste século, não devemos esperar a vitória de nenhum partido, mas sim a derrota do adversário. Parece que o povo não acredita merecer o melhor, optando por um lado em detrimento do outro.
A democracia, para muitos, tornou-se uma renúncia ao ideal. Cada eleição renova essa renúncia avassaladora, refletindo uma alma que, aspirando a grandes coisas, se contenta com migalhas. Que futuro pode ser construÃdo sobre a lógica da exclusão e do medo, em vez da esperança?
A cena se repete com uma previsibilidade desgastada. O momento que deveria ser solene assemelha-se a um ritual cÃnico: a eleição do próximo chefe do Poder Executivo. Diante de rostos familiares e promessas duvidosas, muitos se resignam com a desculpa automática: “Não há outras opções”.
A renúncia ao ideal e a busca por autenticidade
Eles têm razão em parte, pois não há nada mais a acrescentar com as mesmas táticas. Mas também é verdade que não exigimos mais, não treinamos mais, não semeamos novas sementes. A falta de candidatos que inspirem verdadeira confiança é palpável.
Aqueles que compreendem a verdadeira antropologia humana e a incorporam em sua visão para o paÃs são raros. Precisamos de lÃderes que defendam a verdade e a beleza sem medo, que não usem a fé como disfarce de campanha, mas como guia de vida.
Em suma, precisamos de um herói neste mundo de vigaristas. Um lÃder que nos permita dizer, sem reservas: “Ele me representa”. Alguém que honre o bem comum e a justiça, sem nos obrigar a comprometer nossos princÃpios mais sagrados.
Virtude e caráter: as qualidades de um lÃder exemplar
No mundo polÃtico, os heróis serão aqueles cuja caracterÃstica definidora é a virtude e o caráter. Governarão por meio de ações, não de retórica, pela coerência, não pela popularidade.
Serão lÃderes que inspiram fé, esperança e caridade. Aqueles que encontram na expressão consistente de sua fé a bandeira pela qual estão dispostos a dar a vida, não um meio de atrair votos.
Esses lÃderes buscarão evangelizar a polÃtica, não politizar o Evangelho. Como G. K. Chesterton pressentiu, cada época é salva por um pequeno grupo de homens que têm a coragem de discordar dos tempos.
A coragem de discordar e a responsabilidade cÃvica
Esses homens são necessários hoje, aqueles por quem as nações clamam. São aqueles que, tendo conhecido a verdade, estão dispostos a morrer por ela. Precisamos de pessoas para quem a injustiça é intolerável, cujas almas são transpassadas pelo sofrimento alheio.
Precisamos daqueles que encontraram, na generosa oferta de si mesmos, a face do chamado divino. Como disse Madre Laura, “Deus não carece de meios”. Ele chama, e espera pacientemente pela resposta.
Pode parecer ambicioso pensar que uma pessoa possa ser chamada a dedicar-se ao serviço por meio da polÃtica. Mas a história confirma: há santos que governaram com sabedoria e mártires que percorreram os corredores do poder sem vacilar.
Os sentinelas da aurora: a nova geração de lÃderes
Se o Reino de Cristo deve expandir-se, deve fazê-lo também nos parlamentos e nas praças públicas. O Sagrado Coração de Jesus exige isso.
Muitos são chamados. E vários já respondem generosamente: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. São homens e mulheres corajosos, que se preparam, forjando-se no dever e temperando-se na virtude.
Eles são os sentinelas da aurora. Tornaram-se o sinal visÃvel de que o horizonte se aproxima, de que não está longe o dia em que veremos em uma cédula presidencial o eco vivo de inúmeros homens e mulheres determinados.
Esses são os homens que ficarão para a história, não por seus discursos ou popularidade, mas porque construÃram sobre a base existente e deixaram um impacto real. E você e eu podemos fazer parte desse pequeno grupo de pessoas corajosas.
Pois, como disse Dr. Seuss de forma magnÃnima, “A menos que alguém como você se importe de verdade, nada jamais vai mudar. Nunca”. A responsabilidade é de todos nós.