Os 7 Candidatos Presidenciais Mais Caricatos da História Recente do Brasil: De Bordões Inesquecíveis a Propostas Surpreendentes

Os 7 Candidatos Presidenciais Mais Caricatos da História Recente do Brasil: De Bordões Inesquecíveis a Propostas Surpreendentes

Resumo

Candidatos Presidenciais Caricatos: Uma Jornada Pelos Perfis Excêntricos das Eleições Brasileiras

Entre 1989 e 2022, o Brasil viu um total de 71 candidatos disputarem a Presidência em nove eleições. Nem todos seguiram o roteiro tradicional das campanhas. Alguns ficaram marcados mais por seus perfis excêntricos, bordões memoráveis e propostas inusitadas do que por propostas políticas concretas.

Esses personagens, muitas vezes, povoam o imaginário popular com jingles chicletes e frases que se tornaram parte da cultura política brasileira. A Gazeta do Povo reuniu sete desses candidatos que, por suas peculiaridades, merecem ser lembrados na história recente das eleições presidenciais do Brasil.

Conforme apurado pela Gazeta do Povo, estes candidatos, mesmo sem grandes resultados eleitorais, deixaram uma marca indelével no cenário político nacional, mostrando a diversidade e, por vezes, o inusitado do processo democrático brasileiro.

José Maria Eymael: O Democrata Cristão do Jingle Grudento

Com seis candidaturas entre 1989 e 2022, José Maria Eymael se iguala a Lula como o político que mais vezes disputou a Presidência. Sua marca registrada não foram propostas mirabolantes, mas sim o jingle inesquecível: “Ey, Ey, Eymael, um democrata cristão”. A melodia, sempre associada a um sorriso, foi criada originalmente para sua campanha à prefeitura de São Paulo em 1985.

Eymael defendia a ideia de um Estado “de senhor para servidor” e usava seus feitos como deputado para angariar votos. No entanto, seu melhor resultado foi o quinto lugar em 2010, mostrando que, apesar do apelo musical, o eleitorado não o impulsionou para posições de destaque.

Cabo Daciolo: “Glória a Deus” e “Óleo de Peroba” na Campanha

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, o Cabo Daciolo, surgiu na política em 2014 como deputado federal. Sua trajetória ganhou contornos excêntricos após ser expulso do PSOL por propor que a Constituição começasse com “todo poder emana de Deus”. Pastor evangélico e militar da reserva, Daciolo se destacou nos debates presidenciais de 2018 com seu bordão “glória a Deus” e a promessa de usar “óleo de peroba” em alguns candidatos.

Suas propostas frequentemente mesclavam religião e política, como o jejum para obter respostas divinas e orações no Monte das Oliveiras. Apesar de “profetizar” sua vitória com 51% dos votos, obteve pouco mais de 1,2%.

Rui Costa Pimenta: O Trotskista Controverso e o Apoio ao Hamas

Presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta é um representante da extrema-esquerda, autodenominado trotskista e marxista. Com quatro candidaturas presidenciais, seu melhor resultado foi 0,05% em 2002. Pimenta ganhou notoriedade por seu apoio “1.000%” ao Hamas, movimento considerado terrorista por diversas nações, o que lhe rendeu críticas e representações no Ministério Público.

Sua plataforma política inclui oposição ao neoliberalismo, defesa da posse de armas e críticas às políticas identitárias. A controvérsia em torno de seu apoio a grupos como Hamas e Hezbollah o colocou em evidência, mas não se traduziu em votos significativos nas urnas.

Levy Fidelix: O Visionário do Aerotrem e a Controvérsia sobre Homossexualidade

Jornalista e publicitário, Levy Fidelix, fundador do PRTB, concorreu à Presidência em 2010 e 2014. Sua principal bandeira era o “aerotrem”, um modal de transporte de baixo custo e alta velocidade entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Fidelix também defendia a família tradicional, o que o levou a um processo e multa eleitoral em 2014.

Suas declarações sobre união homoafetiva, como “dois iguais não fazem filho” e “aparelho excretor não reproduz”, foram consideradas ofensivas pela Justiça Eleitoral. Sua morte em 2021, devido à Covid-19, impediu que ele visse seu projeto do aerotrem se concretizar.

Padre Kelmon: O “Padre de Festa Junina” que Virou Meme

Kelmon Luís da Silva Souza, que se apresenta como padre, mas não é filiado à Igreja Católica Romana, disputou a Presidência em 2022. Ordenado por igrejas ortodoxas sem vínculo com as matrizes grega ou russa, Kelmon atuou nos debates como um “escada” para Jair Bolsonaro, elogiando-o e interrompendo outros candidatos. Sua performance o transformou em meme, sendo chamado de “fariseu”, “candidato laranja” e “padre de festa junina”.

Kelmon, que já foi filiado ao PT, ostenta um discurso ácido contra a esquerda. Seu fraco desempenho eleitoral, com 0,07% dos votos, e a rejeição aumentada após os debates o colocaram na terceira posição de candidatos mais caricatos.

Marronzinho: A Boca Tapada e as Propostas Inusitadas de 1989

José Alcides Marronzinho de Oliveira, o Marronzinho, é o único sergipano a concorrer à Presidência, em 1989. Conhecido pela língua solta, respondeu a dezenas de processos por calúnia e difamação, chegando a ser preso. Em sua campanha, aparecia com uma tarja na boca como protesto, falando pouco, mas apresentando propostas únicas.

Entre suas ideias estavam usar equipamentos de prospecção de petróleo da Petrobras para perfurar poços de água no sertão nordestino e prender bandidos em navios-presídio. Obteve 0,33% dos votos em 1989, garantindo a medalha de prata no nosso ranking.

Enéas Carneiro: O “Trator” da Barba, Careca e Óculos de Fundo de Garrafa

Considerado o candidato mais caricato de todos os tempos, Enéas Ferreira Carneiro se destacou pela sua imagem: uma farta barba preta, careca lustrosa e óculos “de fundo de garrafa”. Sua campanha pelo Prona era baseada no nacionalismo, conservadorismo moral e defesa de estatais.

Com apenas 15 segundos no horário eleitoral, Enéas falava rápido, quase aos gritos, afirmando que passaria “como um trator” sobre os outros candidatos. Seu bordão “Meu nome é Enéas” é um clássico. Apesar da figura peculiar, Enéas era médico com mestrado em cardiologia e teve seu melhor desempenho em 1994, com mais de 4,6 milhões de votos, ficando em terceiro lugar.

Sua defesa da construção da bomba atômica pelo Brasil, “para que o Brasil se imponha diante da comunidade internacional”, e sua postura radicalmente contrária ao aborto, que chamava de “assassinato”, também marcaram sua trajetória. Enéas faleceu em 2007, vítima de leucemia.

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