Lindbergh Farias acusa Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro em pedido de bloqueio de bens e apreensão de passaporte.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para incluir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação inicial foca em suposta coação no curso do processo.
O parlamentar levanta suspeitas sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, sugerindo que os recursos teriam sido utilizados para custear uma “ofensiva internacional” contra as instituições brasileiras. Lindbergh Farias quer que o STF apure se os valores destinados ao filme serviram como lastro financeiro para essa suposta campanha.
A solicitação surge após reportagem do site The Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro teria negociado um patrocínio de R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a produção do filme. Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos em seis operações entre fevereiro e maio de 2025.
Medidas Cautelares e Suspeitas de Fluxo Financeiro
Diante das suspeitas, Lindbergh Farias pediu ao STF a adoção de diversas medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro. Entre elas, a apreensão de seu passaporte, a proibição de deixar o país, o bloqueio de bens e valores vinculados ao projeto do filme, além da quebra de sigilo bancário, fiscal e telemático.
O pedido também inclui a solicitação de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para rastrear fluxos financeiros, possíveis pagamentos a lobistas e registros de reuniões de Eduardo Bolsonaro em território americano. Lindbergh Farias destacou que a atuação de Eduardo no exterior coincidiu com medidas adotadas pelos EUA contra o Brasil em 2025, como sanções a autoridades e a imposição de tarifas.
Padrão de Fuga e Conexão com Prisões
O deputado federal citou o que chamou de “padrão de fuga” entre aliados da família Bolsonaro, lembrando as detenções de ex-deputados como Alexandre Ramagem nos EUA e Carla Zambelli na Itália. Ele também mencionou a tentativa de Jair Bolsonaro de violar sua tornozeleira eletrônica em novembro de 2025, que teria ocorrido dois dias após a prisão de Daniel Vorcaro.
Lindbergh Farias argumenta que a coincidência temporal entre a tentativa de violação da tornozeleira e a prisão de Vorcaro é relevante. O pedido ao STF busca apurar se essa coincidência é casual ou se reflete a percepção de que a prisão do banqueiro poderia expor fluxos financeiros e acordos incompatíveis com a versão de um simples patrocínio privado.
Flávio e Eduardo Bolsonaro se Defendem
O senador Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de patrocínio, mas negou qualquer irregularidade em suas ações. Por sua vez, Eduardo Bolsonaro afirmou que não foi o responsável pela gestão do investimento de Vorcaro na produção do filme “Dark Horse”.
A investigação, conforme solicitado por Lindbergh Farias, visa esclarecer a origem e o destino dos recursos destinados ao filme, e se estes foram utilizados para financiar atividades que possam ter prejudicado o Estado brasileiro. O caso levanta sérias questões sobre a transparência financeira e a atuação política de figuras públicas no cenário internacional.