Flávio Bolsonaro celebra classificação de facções brasileiras como terroristas pelos EUA e acusa Lula de “conivente”
O senador Flávio Bolsonaro (PL) comemorou a notícia de que os Estados Unidos devem classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi feita na noite desta quinta-feira (28) em suas redes sociais, onde compartilhou a publicação do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre a decisão, com a legenda “Grande dia”.
A celebração ocorre após uma reunião de Flávio Bolsonaro com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (26). Durante o encontro, o senador fez um apelo direto para que as facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como terroristas, um pedido que parece ter sido atendido.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que acompanhou o irmão na reunião, agradeceu a Trump, Rubio e ao vice-presidente dos EUA, J.D. Vance. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Eduardo afirmou que, com essa classificação, os membros das facções “vão poder ser combatidos igual ao Bin Laden”. Ele também projetou que, a partir de 2027, um “presidente Flávio Bolsonaro” poderá “fazer muito mais pela segurança pública”.
Carlos Bolsonaro e aliados reforçam críticas ao governo e à imprensa
Carlos Bolsonaro (PL-SC), pré-candidato ao Senado, atribuiu a decisão de Rubio à intervenção dos irmãos e criticou a imprensa brasileira. Ele declarou que a medida representa “o início do fim dos ‘diálogos cabulosos!'” e chamou a “velha imprensa brasileira” de “piada de mau gosto”.
O coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), destacou que o presidenciável “foi mais efetivo numa viagem ridicularizada e subestimada pela grande mídia do que Lula”. Marinho criticou o governo federal por, segundo ele, ter “relativizado o crime e tratado bandido como vítima”.
Para o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), a determinação dos EUA foi um “golaço” de Flávio Bolsonaro. Em vídeo divulgado posteriormente, Flávio reforçou o tom de campanha, afirmando ter feito “mais pelo Brasil e pela segurança dos brasileiros” como pré-candidato do que o PT e Lula em seus anos de governo.
Governo Lula reage com preocupação e vê risco à soberania
A decisão americana é vista como uma derrota para o governo Lula (PT), que teme que a medida abra precedentes para intervenções de outros países no Brasil. O assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, declarou ser favorável à cooperação internacional, mas considerou a intervenção “inaceitável”.
A ex-ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que a determinação “afeta nossa economia, dificulta investimentos estrangeiros e representa uma ameaça direta à nossa soberania”. Ela classificou a articulação de Eduardo e Flávio como “irresponsável”, argumentando que o Brasil “não pode ser tratado como colônia”.
Em março deste ano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já havia informado a Marco Rubio que o governo brasileiro era contrário à alteração. O então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, havia apontado no ano passado que o “terrorismo envolve sempre uma nota ideológica”, diferenciando-o das facções criminosas.
Polícia do Senado investiga suposto plano de atentado contra Flávio Bolsonaro
Paralelamente à repercussão da decisão dos EUA, a Polícia do Senado investiga um suposto plano de atentado contra Flávio Bolsonaro. A informação foi divulgada em um canal no TikTok pelo funkeiro Misael Rangel da Silva e Souza, conhecido como MC Misa, que relatou ter conhecimento de um plano orquestrado por Deolane Bezerra, presa por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC.
Flávio Bolsonaro comentou o caso, afirmando estar “colocando a própria vida em risco para libertar milhões de brasileiros que vivem em áreas dominadas por esses narcoterroristas do CV e do PCC”. A Polícia do Senado confirmou a investigação sobre o caso.
FBSP lamenta “captura” do tema pela disputa eleitoral
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) emitiu nota lamentando que a decisão americana, uma “decisão soberana do governo norte-americano”, tenha sido “capturada pela disputa eleitoral”. A entidade ressaltou as profundas implicações do tema na soberania e autonomia do Brasil.
O FBSP criticou a forma como a medida foi incentivada, vista como uma solução para um problema complexo sem considerar os riscos de saídas unilaterais de outras nações. A entidade apontou que o apoio explícito de muitos políticos demonstra “visões reducionistas e descoladas das reais tarefas que o Poder Público precisa colocar em prática”.