Tensão no Estreito de Ormuz se agrava: EUA atacam navio e Irã reivindica controle total da rota estratégica
Forças dos Estados Unidos informaram ter atacado um navio comercial que tentava quebrar o cerco imposto por Washington aos portos iranianos, próximo ao Estreito de Ormuz. A ação elevou a tensão na região, com o Irã respondendo de forma contundente, declarando que a passagem marítima estratégica está sob seu “controle total”.
O incidente ocorreu neste sábado (30), quando o navio mercante M/V Lian Star, navegando sob bandeira da Gâmbia, foi identificado pelas forças americanas em águas internacionais no Golfo de Omã, em direção a um porto iraniano. Segundo o Comando Central dos EUA (Centcom), mais de 20 advertências foram emitidas para a embarcação sobre a violação do bloqueio.
Como os alertas foram ignorados, uma aeronave americana disparou contra a sala de máquinas do navio, tornando-o “inutilizado” e impedindo seu avanço para o Irã. Conforme divulgado pela agência EFE, este incidente soma cinco navios comerciais inutilizados e 116 desviados desde o início do cerco americano a Teerã.
Irã reage e declara “controle total” sobre o Estreito de Ormuz
Em resposta direta ao ataque americano, as Forças Armadas do Irã elevaram o tom, alertando que qualquer interferência militar na rota marítima será recebida com uma resposta enérgica. O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya afirmou, em comunicado divulgado pela agência estatal Tasnim, que a gestão do Estreito de Ormuz pelas Forças Armadas iranianas é exercida com “plena autoridade”.
As autoridades iranianas ressaltaram que todos os navios, sejam comerciais ou petroleiros, devem seguir as rotas designadas e obter autorização prévia da Marinha da Guarda Revolucionária. O descumprimento, segundo Teerã, colocará a segurança da navegação em “grave risco”. O Irã enviou ainda um aviso direto aos EUA, declarando que qualquer embarcação militar que tente interferir na gestão do estreito será considerada um alvo legítimo.
Para reforçar sua posição, a Autoridade do Golfo e do Estreito de Pérsico (PGSA), órgão iraniano responsável por gerenciar o tráfego local, publicou um mapa detalhando sua “jurisdição” e as áreas que exigem permissão prévia para trânsito, buscando consolidar seu domínio sobre a vital via marítima.
Impasse no Estreito de Ormuz: Geopolítica e negociações de paz
O conflito, que já se estende por mais de três meses, teve início após ataques dos EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Como retaliação, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, uma artéria crucial para o transporte global de petróleo e gás, por onde passava cerca de 20% do comércio mundial antes do conflito.
Em resposta ao bloqueio iraniano, o presidente americano, Donald Trump, impôs um cerco naval aos portos iranianos em abril. A reabertura do estreito tornou-se o ponto mais complexo das negociações de paz mediadas pelo Paquistão. Washington exige a retirada de minas navais e a abstenção de taxas pelo Irã, enquanto Trump declarou publicamente que não aceitará um acordo que conceda o controle exclusivo do estreito a Teerã.
O Irã, por sua vez, propôs inicialmente a cobrança de um pedágio, reformulando posteriormente a retórica para alegar que os valores seriam destinados a “serviços de navegação” e medidas de proteção ambiental marinha. A situação permanece delicada, com o Estreito de Ormuz como epicentro de um complexo impasse geopolítico e econômico.