Governo Lula investe R$ 80 milhões em campanha para divulgar fim da escala 6×1, com mote “Tempo com a Família”.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou uma verba expressiva de R$ 80 milhões para uma campanha publicitária focada na divulgação da proposta que visa o fim da escala de trabalho 6×1. A iniciativa, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e agora segue para análise do Senado, tem como slogan principal “tempo com a família”.
Esta ação se destaca por ser uma das mais caras empreendidas pela atual gestão federal em termos de publicidade. Os recursos foram aplicados pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) na produção e veiculação de materiais em diversos meios de comunicação, conforme apurado pelo jornal Folha de S. Paulo.
Os dados, obtidos através do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e confirmados pela própria Secom, revelam que o investimento na campanha do fim da escala 6×1 supera outras ações recentes do governo. Essa informação, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, detalha os gastos e a estratégia por trás da comunicação governamental.
Investimento supera outras campanhas importantes do governo
O montante de R$ 80 milhões destinado à promoção do fim da escala 6×1 é o dobro do valor investido em 2025 para divulgar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que beneficia trabalhadores com rendimentos de até R$ 5 mil mensais. A campanha “Tempo com a Família” também recebeu mais recursos do que a divulgação do programa Desenrola Brasil, que teve R$ 45 milhões alocados.
A Secom informou que não há previsão de ampliação dos recursos para as campanhas do fim da escala 6×1 e do Desenrola Brasil. A pasta ressalta que a veiculação abrangerá múltiplos meios de comunicação, indo além da TV e da internet, com o objetivo de maximizar o alcance das mensagens.
Critérios técnicos definem distribuição de verbas publicitárias
Segundo a Secretaria de Comunicação Social, a distribuição das verbas publicitárias segue rigorosos **critérios técnicos**. A definição dos investimentos considera fatores como audiência, perfil do público-alvo, cobertura geográfica e a diversificação dos veículos de comunicação. O objetivo é garantir que as campanhas alcancem o maior número possível de cidadãos.
O modelo de trabalho estabelecido prevê que a Secom defina os temas das campanhas e repasse os recursos para agências contratadas. Geralmente, entre 5% e 10% do orçamento é destinado à produção de materiais como vídeos e banners, enquanto a maior parte da verba é utilizada na compra de espaços publicitários em plataformas digitais, redes sociais e outros veículos de comunicação.
Investimentos em publicidade digital crescem e superam TV
Nos últimos anos, o governo federal tem ampliado significativamente seus investimentos em publicidade digital. A participação da internet nos gastos com campanhas saltou de cerca de 20% para mais de 30%. Isso fez com que os valores destinados a plataformas como Google e Meta ultrapassassem, pela primeira vez, os investimentos em anúncios pagos nas redes de televisão SBT e Band.
Além da campanha sobre o fim da escala 6×1, o governo tem utilizado recursos publicitários para divulgar outras iniciativas importantes. Entre elas estão o slogan “Brasil Soberano”, os programas Gás do Povo e Agora Tem Especialistas, e a já mencionada ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês.
Gastos totais com publicidade atingem maior volume desde 2017
Os gastos federais com publicidade atingiram, no último ano, o maior volume empenhado desde 2017. Ao todo, aproximadamente R$ 1,5 bilhão foi reservado para ações de comunicação institucional. Desse total, R$ 924 milhões foram administrados diretamente pela Secom, enquanto a maior parte do restante foi utilizada pelo Ministério da Saúde.
Apesar do aumento recente nos investimentos em divulgação governamental, a previsão orçamentária para 2026 aponta para uma **redução nos gastos totais com publicidade**. A estimativa é de aproximadamente R$ 1,44 bilhão para campanhas institucionais ao longo do próximo ano, indicando uma possível readequação nos investimentos futuros.