TSE adia definição sobre pesquisa que associou Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu, na noite desta terça-feira (9), o julgamento que decidiria sobre a liminar do presidente da Corte, Nunes Marques. A liminar suspendeu uma pesquisa do Instituto AtlasIntel que ligava o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A decisão de adiar o julgamento ocorreu após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para analisar o caso. A questão central gira em torno dos limites da liberdade de pesquisa eleitoral e o potencial de indução de respostas por parte dos institutos.
Nunes Marques, ao suspender a pesquisa inicialmente, argumentou que alguns quesitos apresentados poderiam “prejudicar a espontaneidade” das respostas dos entrevistados. Ele sinalizou a intenção de convidar institutos de pesquisa para debater os critérios utilizados em seus levantamentos, considerando que a decisão neste caso servirá de precedente para o futuro.
Debate no TSE: Liberdade de Pesquisa vs. Influência no Eleitor
Durante a sessão, o ministro Dias Toffoli expressou a visão de que as pesquisas deveriam ser, em regra, “liberadas completamente”, cabendo ao eleitor a avaliação dos dados apresentados. Ele levantou questionamentos sobre os limites da pesquisa, indagando se “pesquisa pode tudo ou não pode nada” ou se deve focar em perguntas objetivas e claras, sem induzimento.
O ministro André Mendonça concordou com a necessidade de cautela, acrescentando que as pesquisas não devem ser “tendenciosas”. Toffoli reforçou a ideia de que a decisão do TSE terá um impacto amplo, aplicando-se a todos os casos, e que os institutos de pesquisa devem atuar como “agentes de cooperação da imparcialidade e da lisura do processo eleitoral”, segundo Mendonça.
O Pedido do PL e a Defesa da AtlasIntel
O Diretório Nacional do PL entrou com o pedido que resultou na suspensão da pesquisa, alegando que o Instituto AtlasIntel manipulou a opinião dos entrevistados. Segundo o partido, a pesquisa utilizou “estímulos narrativos” negativos antes das perguntas sobre intenção de voto, associando diretamente Flávio Bolsonaro a investigações envolvendo o Banco Master com termos como “esquema de fraudes financeiras” e “escândalo”.
A advogada do PL, Maria Claudia Bucchianeri, argumentou que o instituto não apresentou a íntegra do áudio ou a degravação do conteúdo exibido aos entrevistados, o que, para a defesa, comprometeria a lisura do processo. Ela destacou que “pesquisas confiáveis” são de interesse da sociedade e que o pedido do PL não tinha um viés partidário específico.
Em contrapartida, o advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, defendeu a “excelência” e a “metodologia inovadora” das pesquisas eleitorais online realizadas pelo instituto. Ele sustentou que a representação do PL não aponta uma violação objetiva à lei eleitoral, mas sim uma discordância com a metodologia aplicada a um fato público e notório.
Detalhes da Pesquisa e o Áudio em Questão
A pesquisa em questão, registrada no TSE sob o número BR-06939/2026, ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Após questões sobre intenção de voto para presidente, a AtlasIntel apresentou aos entrevistados um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro. Neste áudio, divulgado pelo site The Intercept Brasil, o senador cobra Daniel Vorcaro sobre o financiamento prometido para o filme “Dark Horse”.
O áudio, datado de setembro de 2025, surge em um contexto de dificuldades financeiras do Banco Master e questionamentos sobre o financiamento do filme. Flávio Bolsonaro, no áudio, expressa preocupação com o impacto negativo caso os compromissos financeiros com a produção cinematográfica não sejam honrados, citando nomes como Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh, figuras renomadas do cinema americano.
A AtlasIntel defendeu sua metodologia, afirmando que o questionário respeita sua autonomia e que os quesitos visavam aferir a percepção do eleitor sobre fatos amplamente divulgados pela imprensa. A empresa também argumentou que componentes audiovisuais eram usados após a coleta da intenção de voto, o que, segundo eles, impediria a indução dos resultados principais. A empresa confia que o TSE confirmará a robustez técnica e a legalidade do estudo.