MP de SP denuncia Deolane Bezerra e Marcola por lavagem de dinheiro para o PCC
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou nesta quarta-feira (10) uma denúncia formal contra a influenciadora Deolane Bezerra e o suposto chefe da facção criminosa PCC, Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Eles são acusados, juntamente com outras quatro pessoas, de integrarem uma organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro proveniente do PCC.
Segundo a denúncia, o esquema teria operado entre os anos de 2018 e 2025, com o objetivo de dissimular e reinserir na economia formal recursos ilícitos obtidos pela facção. A investigação aponta que uma empresa de transportes, a Lopes Lemos Transportes Ltda., teria sido o principal veículo para essas operações, recebendo ordens diretas de Marcola.
Deolane Bezerra, que teve um pedido de liberdade negado recentemente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e está presa desde 21 de maio, teria recebido depósitos fracionados da transportadora. A influenciadora é acusada de ocultar a origem desses valores utilizando contas bancárias próprias e de planejar a reestruturação e transferência de empresas para fundos no exterior, visando a lavagem de dinheiro para membros do PCC. Marcola, por sua vez, encontra-se preso desde 1999.
O Mecanismo da Lavagem de Dinheiro Revelado
A investigação do MP-SP detalha que a empresa Transportadora Lado a Lado recebia diretrizes de Marcola e de outro suspeito para repassar os rendimentos ilícitos para os demais integrantes da rede criminosa. A participação de Deolane envolveria o recebimento desses valores de forma fragmentada, dificultando o rastreamento da origem.
Um outro membro do grupo criminoso atuava como operador intermediário, supervisionando as prestações de contas e o fluxo financeiro. Parentes de Marcola também estariam envolvidos, recebendo parcelas dos rendimentos ilícitos por determinação do líder da facção e sendo responsáveis pela distribuição desses valores, seguindo orientações do comando do PCC.
Defesas Apresentadas pelos Acusados
O advogado de Deolane Bezerra, Aury Lopes, refuta veementemente as acusações. Ele afirma que sua cliente não possui qualquer vínculo com o PCC e que não cometeu crime algum. Lopes argumenta que a prisão de Deolane é desnecessária e midiática, destacando que ela tem uma filha menor de 12 anos que depende dela, o que tornaria a detenção penalizadora para a criança.
Por outro lado, Marcola, através de sua defesa, alega que, estando preso há mais de 20 anos, seria impossível para ele articular qualquer esquema criminoso de dentro da cadeia. A defesa busca demonstrar a inviabilidade de sua participação ativa em novas atividades ilícitas.
Operação Vêrnix e a Conexão com a Influenciadora
A prisão de Deolane Bezerra ganhou destaque após investigações da Operação Vêrnix, conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de São Paulo. Essa operação teria apontado uma ligação entre a influenciadora e pessoas próximas a Marcola, o líder do PCC, em um período que abrange de 2022 a 2024.
Em sua defesa anterior, Deolane alegou ter trabalhado como advogada para o líder da facção e que sua prisão teria ocorrido no exercício da profissão. No entanto, a nova denúncia do MP-SP amplia o escopo das acusações, focando em sua suposta participação direta em esquema de lavagem de dinheiro.
Dois dos denunciados, conforme o MP-SP, encontram-se foragidos no exterior. A investigação continua em andamento para desarticular completamente a estrutura criminosa ligada ao PCC.