Terceirizados da TV Justiça entram em greve e acusam STF de omissão em meio a salários atrasados
Jornalistas e outros profissionais da comunicação, contratados pela Fundac e que atuam na Rádio e TV Justiça, decidiram entrar em greve a partir da próxima segunda-feira, dia 15. A paralisação visa pressionar o pagamento de salários atrasados, a criação de um vale-alimentação e a regularização de pensões alimentícias.
A decisão foi tomada em assembleia realizada nesta quarta-feira (10), onde 80 profissionais votaram unanimemente a favor da greve. A categoria busca garantir direitos básicos e a continuidade dos serviços essenciais prestados à emissora pública.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) expressou preocupação com a situação, alertando que a paralisação pode interromper as transmissões da TV e Rádio Justiça, prejudicando o acesso da população à informação e a imagem institucional do STF. A nota do sindicato ressalta a importância da comunicação pública transparente e imparcial.
STF se exime de responsabilidade e cobra cumprimento de contrato
Em resposta à iminente greve, o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma nota enfática, declarando que não possui responsabilidade sobre as obrigações trabalhistas da Fundac, empresa contratada para prestar serviços de comunicação. O STF mantém três contratos ativos com a entidade, totalizando R$ 26,8 milhões em repasses.
Os contratos incluem verbas para apoio técnico em comunicação social, jornalismo, reportagem fotográfica e design gráfico e digital. O Supremo afirma que espera a continuidade da prestação dos serviços conforme o acordado e que a ausência de resolução pode comprometer as operações dos veículos.
Impacto nas transmissões e debates sobre a TV Justiça
A paralisação dos terceirizados pode levar à interrupção das transmissões da TV Justiça e da Rádio Justiça. Esses canais são fundamentais para a divulgação de julgamentos do STF e de outras Cortes superiores, além de conteúdos sobre Direito e o funcionamento do Judiciário.
A própria transmissão ao vivo dos julgamentos do Supremo tem sido alvo de debates. Críticos argumentam que a exibição em vídeo pode levar a uma “espetacularização” das decisões, prejudicando a ponderação necessária em processos importantes. A greve adiciona mais uma camada de complexidade à discussão sobre o papel e o funcionamento desses meios de comunicação pública.
A Fundac foi contatada pela reportagem, e o espaço permanece aberto para manifestação sobre o caso.