Tabata Amaral propõe nova definição para crime de misoginia, trocando "ódio" por "menosprezo ou discriminação"

Tabata Amaral propõe nova definição para crime de misoginia, trocando “ódio” por “menosprezo ou discriminação”

Resumo

Deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou proposta para reformular a definição do crime de misoginia, buscando uma caracterização mais abrangente e alinhada à legislação penal. A mudança visa substituir os termos “ódio” e “aversão” por “menosprezo ou discriminação” em razão da condição de mulher.

A alteração proposta pela deputada Tabata Amaral, que lidera o grupo de trabalho sobre a criminalização da misoginia, visa aprimorar o texto já aprovado pelo Senado. O objetivo é garantir a uniformidade conceitual na legislação penal e processual penal.

A nova redação sugere que a misoginia seja definida como o ato de “menosprezo ou discriminação” contra mulheres, em vez de “ódio” ou “aversão”. Essa mudança, segundo Amaral, busca uma aplicação mais precisa do conceito.

A proposta original já equipara a misoginia ao crime de racismo, tornando-a inafiançável e imprescritível. A intenção é que a nova definição siga o mesmo rigor, combatendo manifestações de preconceito contra o público feminino.

A pena prevista para crimes de misoginia é de 2 a 5 anos de reclusão, além de multa. O texto deve ser votado no colegiado até o dia 16 de junho, representando um passo considerado essencial para o avanço civilizatório.

Combate à “machosfera” e à disseminação de ódio online

Tabata Amaral destacou a importância da aprovação do texto para combater a disseminação de discursos de ódio em comunidades e redes online, frequentemente associadas à chamada “machosfera”. Ela denuncia que essas plataformas promovem narrativas hostis às mulheres, especialmente entre os jovens.

A deputada defende a suspensão de contas e a proibição da monetização de conteúdos que incitem a violência ou o preconceito contra mulheres. A urgência na aprovação é enfatizada pela parlamentar.

“Precisamos aprovar esse texto ainda neste mês. Enquanto a legislação não for atualizada, criminosos continuarão se sentindo à vontade para defender que mulheres sejam assassinadas, humilhadas e estupradas. É isso que queremos combater”, afirmou.

Histórico da aprovação no Senado

O projeto de lei que equipara a misoginia ao crime de racismo foi aprovado por unanimidade no Senado em 24 de março. A proposta recebeu 67 votos favoráveis, demonstrando um consenso sobre a necessidade de criminalizar a manifestação de ódio ou aversão a mulheres.

A equiparação ao racismo confere à misoginia o caráter de crime inafiançável e imprescritível, alinhando-se a outras formas de preconceito já criminalizadas, como a homofobia.

A expectativa é que a Câmara dos Deputados avance na votação da proposta, consolidando um importante avanço na proteção dos direitos das mulheres e no combate à violência de gênero no país.

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