Aborto no Brasil: 68% da população rejeita liberação, maior índice desde 2021, aponta PoderData

Aborto no Brasil: 68% da população rejeita liberação, maior índice desde 2021, aponta PoderData

Resumo

68% dos brasileiros são contra a liberação do aborto, revela pesquisa PoderData

Uma nova pesquisa do PoderData indica que a **maioria expressiva dos brasileiros rejeita a liberação do aborto** no país. O levantamento mostra que 68% dos entrevistados se posicionam contrários à descriminalização, atingindo o maior índice desde que a pergunta começou a ser feita em janeiro de 2021.

A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em 111 municípios entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2026. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, os dados sugerem uma **resistência pública a mudanças significativas** na legislação sobre o tema, que atualmente permite o aborto em casos de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia fetal.

Enquanto isso, 22% dos entrevistados se declararam a favor da liberação, um número estável em relação ao ano anterior, e 10% não souberam ou não quiseram responder. O debate sobre o aborto, que já é permitido em três situações específicas no Brasil, continua aquecido, com uma ação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode ampliar o acesso à interrupção da gravidez.

Perfil dos que apoiam e rejeitam a liberação do aborto

O levantamento do PoderData também detalhou o perfil dos brasileiros em relação à questão do aborto. Entre os que se dizem favoráveis à liberação do aborto, os percentuais foram ligeiramente maiores entre idosos (25%), moradores da região Norte (27%) e pessoas com ensino fundamental (26%).

Por outro lado, a rejeição à liberação do aborto foi mais expressiva entre moradores da região Sul (74%) e entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos (72%). Esses dados mostram uma divisão regional e socioeconômica na opinião pública sobre o tema.

Judicialização do aborto e identidade política

A pesquisa também cruzou as opiniões sobre o aborto com a identidade política dos eleitores. Entre aqueles que declararam apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, 65% se mostraram contra a liberação do aborto, enquanto 27% eram favoráveis. Já entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL), 73% se declararam contrários e 16% a favor.

Este cenário de forte rejeição popular à liberação do aborto contrasta com a tentativa de modificar a legislação por meio do Judiciário. A ADPF 442, em análise no STF, propõe a liberação do aborto até o nono mês de gestação, um tema que divide opiniões e que reflete um debate mais amplo sobre direitos reprodutivos e a autonomia da mulher no Brasil.

O debate no Supremo Tribunal Federal

A questão da liberação do aborto está centralizada em um debate jurídico no Supremo Tribunal Federal (STF). A Ação de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, se aprovada pelos ministros da corte, poderá ter um impacto significativo, permitindo a interrupção da gravidez em estágios mais avançados. A ampla rejeição popular mapeada pelo PoderData, no entanto, sugere um desafio para essa possível mudança legislativa, em um contexto onde diferentes segmentos da sociedade buscam ampliar ou manter os direitos reprodutivos.

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