Ato “Acorda Brasil” mobiliza apoiadores de Bolsonaro em várias cidades com promessas de Flávio Bolsonaro
Em um domingo de mobilização nacional, o ato “Acorda Brasil” reuniu multidões em diversas capitais do país. Cidades como Brasília, Curitiba, Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador foram palco de concentrações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que compareceram em peso aos principais cartões postais de suas localidades.
O evento, convocado pela direita, serviu como plataforma para que lideranças políticas expressassem suas visões e promovessem o engajamento da base bolsonarista. A presença de figuras proeminentes e discursos inflamados marcaram o tom das manifestações, que ecoaram por todo o território nacional.
Um dos momentos de maior destaque foi a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aproveitou a oportunidade para reforçar a mensagem de oposição ao governo atual e projetar o futuro político do bolsonarismo, conforme divulgado pelo portal Gazeta do Povo.
Flávio Bolsonaro exalta multidão e compara governos
Em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, exaltou a mobilização popular liderada por Nikolas Ferreira. Ele afirmou que o movimento reacendeu a “disposição de luta” entre os presentes. Durante seu discurso, o parlamentar traçou um paralelo detalhado entre o governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e a gestão do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Flávio Bolsonaro enfatizou o que considera serem as diferenças cruciais entre as duas administrações, buscando reforçar o contraste e alimentar o sentimento de insatisfação com o governo atual entre seus apoiadores.
A comparação serviu para destacar pontos que, na visão do senador, demonstram a superioridade da gestão anterior, um tema recorrente em seus pronunciamentos e nas pautas que visam mobilizar a base bolsonarista.
Promessa de anistia e projeção de retorno em 2027
Em um dos momentos mais aguardados, Flávio Bolsonaro prometeu anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro. Ele também projetou o retorno de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2027, em sua primeira aparição pública desde que anunciou sua pré-candidatura em dezembro.
“Quero compartilhar com vocês o que disse para o meu pai agora quarta-feira. Eu falei ‘pai, em janeiro de 2027, você vai pessoalmente subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro'”, declarou o senador, em uma fala que repercutiu entre os manifestantes.
A declaração ocorre enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena em Brasília, condenado pela Justiça por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro sugeriu que a derrubada do veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria será o “primeiro passo” para a libertação dos presos do 8 de janeiro.
Suposta carta de Bolsonaro e tensões internas na direita
Circulou no domingo (1) uma suposta carta escrita à mão por Jair Bolsonaro, na qual ele lamenta críticas de “própria direita” à sua esposa, Michelle Bolsonaro, e a outros “colegas”. O ex-presidente teria pedido a Michelle que se envolvesse com política apenas a partir de março, priorizando o cuidado com ele e a filha do casal, Laura.
A carta foi reproduzida por aliados próximos, como o deputado Nikolas Ferreira, que também tem sido alvo de críticas. A manifestação foi interpretada por alguns como uma indireta ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que acusou Michelle e Nikolas de “amnésia” por não se dedicarem o suficiente à campanha de Flávio Bolsonaro.
Essas movimentações internas na direita indicam um cenário de articulação e, por vezes, de tensões, enquanto a base bolsonarista se organiza para futuras disputas eleitorais e para defender seus líderes.