Alcolumbre se diz "agredido da direita à esquerda" e critica CPMI do Master: "Querem fazer palanque eleitoral"

Alcolumbre se diz “agredido da direita à esquerda” e critica CPMI do Master: “Querem fazer palanque eleitoral”

Resumo

Davi Alcolumbre desabafa contra cobranças por CPMI e defende autonomia do Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou nesta terça-feira (2) seu descontentamento com as frequentes cobranças pela criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o caso do Banco Master. Segundo Alcolumbre, a insistência de alguns senadores na instalação do colegiado visa unicamente a construção de um “palanque eleitoral”.

Ele destacou que diversas instituições já estão aprofundando as apurações. “A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Justiça brasileira, está todo mundo investigando isso. Não sei quem é o culpado. Se é o Banco Central do Brasil, se são as pessoas que fizeram errado, se é a Comissão de Valores Mobiliários, mas está todo mundo investigando isso”, afirmou.

As declarações foram feitas após Alcolumbre relatar ter se sentido “agredido da direita à esquerda” durante a última sessão do Congresso, que durou quatro horas. O incidente ocorreu quando ele deixou de ler o requerimento para a criação da CPMI. Na ocasião, os parlamentares derrubaram um veto do presidente Lula (PT) sobre doações a estados e municípios antes das eleições, medida vedada pela legislação eleitoral.

Senado não será “carimbador” de propostas da Câmara, afirma Alcolumbre

O desabafo de Alcolumbre sobre a CPMI do Banco Master ocorreu logo após o senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) questionar a inclusão na pauta da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca o fim da escala de trabalho 6×1. Em resposta, o presidente do Senado assegurou que a Casa não se tornará uma mera “carimbadora” de textos aprovados pela Câmara dos Deputados.

Alcolumbre enfatizou que a PEC sobre a escala 6×1 será submetida à análise de, no mínimo, uma comissão. Ele argumentou que não é razoável que o Senado simplesmente aprove, sem debate aprofundado, temas que a Câmara levou meses para discutir. “Essa é minha percepção, ela não é a favor e não é contra. É a favor do debate”, declarou.

Relação tensa entre Executivo e Legislativo e a PEC 6×1

A PEC em questão, aprovada pelos deputados em 28 de maio, é considerada uma prioridade pelo governo na campanha de reeleição de Lula. A relação entre os chefes do Executivo e do Legislativo tem sido marcada por tensões, especialmente após o Senado rejeitar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A votação da PEC na Câmara só foi viabilizada após um acordo entre Lula e o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), sobre o tempo de transição.

Alcolumbre se sente sem reconhecimento e alerta contra ameaças

Em seu desabafo, Davi Alcolumbre também lamentou a falta de reconhecimento pelos resultados alcançados pelo Congresso nos últimos anos, citando críticas recebidas nas redes sociais e de colegas. Ele ressaltou que “a lei tem que ser boa para o Brasil, não para a rede social”.

“Eu faço uma enciclopédia Barsa de todas as coisas boas que fizemos pelo Brasil desde 2019. Mas ainda não achei um elogio, porque esse país está em eleição desde a última eleição”, apontou. Alcolumbre se disse “vítima todos os dias” de ataques e alertou que suas decisões serão tomadas com base em sua convicção pessoal, e não sob pressão política ou da opinião pública.

“Não me obrigue. Não me ameace. Não me ofenda. Não me ataque. Eu vou com a consciência e com meu coração, no tempo adequado, decidir como vai ser o meu voto. Simples assim”, concluiu o presidente do Senado.

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