Operação no Maranhão: STF busca fonte de jornalista e levanta debate sobre sigilo da fonte
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (11) uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão. A ação investiga o vazamento de informações ao jornalista Luís Pablo, que divulgou reportagens sobre o uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino. O caso reacende a discussão sobre a proteção do sigilo da fonte, um pilar fundamental do jornalismo investigativo.
A Polícia Federal identificou Cutrim como possível informante após analisar mensagens no celular do jornalista Luís Pablo, que já havia sido alvo de buscas em março. Segundo as investigações de Moraes, o ex-secretário teria fornecido dados que denunciavam o alegado uso irregular de veículos oficiais por Flávio Dino no Maranhão, conforme publicações do ano passado.
A Justiça busca esclarecer como essas informações foram obtidas e se houve monitoramento ilegal das rotas e da rotina do ministro e de sua família. A ordem de apreensão de dispositivos eletrônicos e documentos visa coletar evidências para a investigação, conforme informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Quebra do sigilo da fonte: um ataque ao jornalismo?
O sigilo da fonte é um direito garantido pela Constituição de 1988, assegurando que jornalistas possam receber denúncias graves sem expor seus informantes. Essa proteção é crucial para permitir a fiscalização do poder e a denúncia de irregularidades.
Entidades como a Abert, ANJ e Aner expressaram profunda preocupação com a operação, alertando que o uso de medidas policiais para identificar informantes cria um precedente perigoso. Eles argumentam que isso pode intimidar a imprensa nacional e sufocar o jornalismo investigativo, pois cidadãos podem temer denunciar autoridades se souberem que suas identidades podem ser descobertas pela polícia.
Rivalidade política no Maranhão e o papel do STF
O caso se insere em um contexto de intensa rivalidade política no Maranhão. Raimundo Cutrim é um conhecido adversário de Flávio Dino, com um rompimento político ocorrido em 2023, marcado por disputas por cargos e influência no governo estadual.
Agrava a situação o fato de que o próprio ministro Flávio Dino é relator de outro processo contra Cutrim no STF, relacionado a um caso de assassinato e obstrução de justiça. Nesse outro caso, Dino já determinou a prisão domiciliar do rival. Essa dualidade, em que um ministro investiga um adversário político enquanto outro colega age para protegê-lo de vazamentos, coloca o STF no centro desta nova crise.
Posição de Flávio Dino sobre as denúncias
Por meio de sua assessoria, Flávio Dino negou qualquer uso irregular de veículos oficiais. Ele explicou que um carro blindado foi cedido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão a pedido da Secretaria de Segurança do STF, seguindo acordos de cooperação padrão entre tribunais.
O ministro afirmou ser alvo de agressões e ameaças constantes, alegando que ele e seus filhos pequenos sofreram um monitoramento clandestino e ilegal. Segundo Dino, os responsáveis por esse esquema não agiam como jornalistas, mas sim como agentes que acessaram dados sigilosos de segurança para expor sua integridade física e itinerários habituais.