STF x PF: O embate que pode decidir a eleição de 2026 e abalar o jogo político

STF x PF: O embate que pode decidir a eleição de 2026 e abalar o jogo político

Resumo

STF e PF: Personagens cruciais na disputa eleitoral de 2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) emergem como atores de peso na corrida presidencial de 2026. Decisões judiciais, investigações e operações em andamento têm o potencial de gerar fatos capazes de desequilibrar a acirrada disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A tensão institucional entre o ministro André Mendonça (STF) e a PF, em torno de investigações que atingem Fávio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, é um dos focos de atenção. Mendonça relata a Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS.

O ministro demonstrou desconfiança nas diligências da PF, especialmente após a troca do delegado responsável pelo caso. A investigação chegou a Lulinha, suspeito de tráfico de influência, e a pessoas e empresas ligadas a ele, como a empresária Roberta Luchsinger. O caso também envolveu Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-assessor de Lula, que admitiu ter recebido um empréstimo de Luchsinger. Conforme apurado pela fonte, esse episódio tem aumentado a pressão sobre o Planalto.

Riscos para Flávio Bolsonaro e a influência do ex-presidente

No campo de Flávio Bolsonaro, as atenções se voltam para possíveis revelações sobre o filme Dark Horse, produzido para exaltar a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio classifica o caso como um “financiamento privado”, mas outras investigações no STF, relatadas pelo ministro Alexandre de Moraes, podem impactar sua candidatura.

Um inquérito aberto em abril apura suspeita de calúnia contra Flávio, enquanto outro conduz uma investigação criminal onde ele figura como investigado. Decisões envolvendo Jair Bolsonaro, principal cabo eleitoral do filho, também têm peso significativo. Em julho, Moraes proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias, período que abrange grande parte da campanha eleitoral.

Moraes também restringiu a participação de Bolsonaro em manifestações políticas e eleitorais. O ex-presidente foi questionado sobre a autorização de um vídeo com inteligência artificial exibido no lançamento da candidatura de Flávio. O ministro apontou a possibilidade de abuso de poder político e econômico, que pode levar à cassação do registro ou diploma e à inelegibilidade de Flávio.

Analistas apontam o poder de uma operação da PF em decidir o pleito

Creomar de Souza, CEO da Dharma Political Risk and Strategy, avalia que a politização das investigações da PF e os questionamentos ao STF geram uma “degradação geral nos marcadores de confiança no jogo institucional”. Ele ressalta que “uma operação da Polícia Federal na véspera da eleição pode decidir o pleito”.

A constitucionalista Vera Chemim vê o ambiente institucional como uma disputa de “tudo ou nada” pelo poder, que se estenderá até o período eleitoral. Ela sugere que parte da Corte reage ao temor de uma mudança na correlação de forças com o Legislativo, especialmente com a formação de uma possível maioria de direita no Senado.

O caso Lulinha e seu impacto nas pesquisas eleitorais

O caso Lulinha, com três inquéritos simultâneos no STF, tem gerado preocupação no Planalto. A abertura do terceiro inquérito, autorizada pelo ministro Flávio Dino, foi apontada por integrantes do governo como um fator para o avanço de Flávio Bolsonaro em pesquisas recentes. Lula aparece com 39% das intenções de voto contra 30% de Flávio no primeiro turno, uma vantagem que caiu de 12 para 9 pontos.

No segundo turno, a diferença também diminuiu. Lula passou de 45% para 44%, enquanto Flávio avançou de 37% para 39%. Esse cenário levou ao afastamento do ministro da Secom, Sidônio Palmeira, da campanha eleitoral de Lula, devido ao desgaste provocado pelo caso.

Troca de delegado acirra conflito entre STF e PF

O desconforto do ministro André Mendonça com a PF começou em maio, com a retirada do delegado Guilherme Figueiredo Silva da coordenação do caso Lulinha. A PF alegou motivos “burocráticos” para a mudança, mas Mendonça cobrou explicações e determinou que a corporação o informasse previamente sobre qualquer alteração na equipe responsável pelos inquéritos.

A PF recorreu à Advocacia-Geral da União para questionar os limites da atuação de Mendonça, defendendo sua independência técnica. Em resposta, os 27 superintendentes regionais da PF divulgaram uma nota conjunta em defesa da autonomia da instituição. O ministro, por sua vez, estabeleceu um prazo para que a PF esclarecesse a condução dos inquéritos.

Juristas pedem ponderação e alertam para desconfiança generalizada

O constitucionalista Leandro Gabiatti vê o conflito como mais um “atrito institucional” entre os Poderes. Ele afirma que “todos os conflitos políticos acabam convergindo para o lado do Supremo”, e embora não acredite que o STF vá determinar o resultado da eleição, reconhece que decisões podem ter impacto nas urnas. Gabiatti sugere que o STF aja com “ponderação” e evite decisões drásticas em plena campanha eleitoral.

Creomar de Souza reforça a ideia de “desconfiança generalizada” na população, devido à indicação do diretor da PF pelo presidente e a indicação de Mendonça pelo adversário político de Lula. Ele alerta que a “degradação da razoabilidade” no debate público leva eleitores a relativizar ações de seus candidatos preferidos. A sociedade como um todo perde quando a confiança nas instituições é reduzida.

Gabiatti, contudo, relativiza a ameaça institucional à PF, destacando os mecanismos de autonomia e os quadros técnicos da corporação que dificultariam o controle governamental sobre investigações. “O governo – e não somente esse governo – não tem poder para controlar os rumos de uma investigação da Polícia Federal”, pontua.

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