Alexandre de Moraes Determina Devolução de Material de Jornalista Investigado pela PF no Maranhão

Alexandre de Moraes Determina Devolução de Material de Jornalista Investigado pela PF no Maranhão

Resumo

Alexandre de Moraes ordena devolução de material de trabalho de jornalista maranhense apreendido pela PF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta quarta-feira (8) a devolução do material de trabalho do jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, conhecido como “Luís Pablo”.

Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão após publicar reportagens que abordavam o ministro do STF, Flávio Dino. O caso foi inserido no âmbito do inquérito das fake news.

A decisão atende a um pedido da defesa do jornalista, embora o material já tenha sido digitalizado. Conforme Luís Pablo declarou à Gazeta do Povo, ele recebeu a decisão com tranquilidade e segue confiante no respeito às garantias constitucionais e ao exercício do jornalismo.

Investigação e Publicações em Questão

Luís Pablo publicou em novembro do ano passado uma reportagem que apontava o uso de um veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por parte do ministro Flávio Dino. O automóvel, pago com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (FUNSEG-JE), teria sido utilizado para fins pessoais e familiares, com parentes do ministro usufruindo do carro, e até o combustível pago com verbas públicas.

O jornalista se autodefine como “o blog mais polêmico do Maranhão” e é visto como alinhado ao governador Carlos Brandão, um rival político do grupo de Dino. O ministro Flávio Dino, por sua vez, foi filiado ao PCdoB até ingressar no STF em 2024.

Repercussão e Preocupação das Entidades

A seccional do Maranhão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MA) expressou preocupação com o caso. Em nota, a entidade invocou a jurisprudência do próprio Supremo, que preza pela “cautela” na aplicação de ordens de busca e apreensão. A OAB nacional tem como uma de suas bandeiras a extinção do inquérito das fake news.

Diversas associações de jornalismo se manifestaram publicamente, considerando o episódio uma violação das garantias constitucionais ao exercício da profissão. O advogado de Luís Pablo, Marcos Lobo, classificou a investigação como um “escândalo” e uma tentativa de identificar fontes jornalísticas, o que violaria o sigilo de fonte previsto no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.

Entenda o Caso da Busca e Apreensão

Em março deste ano, a Polícia Federal cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência do jornalista, autorizado por Alexandre de Moraes. Na ocasião, foram levados equipamentos como computadores e celulares, que constituem o material de trabalho de Luís Pablo.

A decisão de Moraes, agora, determina a devolução desses bens. Contudo, ressalva que os dados já haviam sido extraídos dos equipamentos. O jornalista não havia retirado os aparelhos pois estariam em um depósito distante do Maranhão.

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