Alfredo Gaspar, relator da CPMI do INSS, entra com queixa-crime no STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke por ofensas graves.
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS, protocolou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). A ação se deu após o petista ter chamado Gaspar de “estuprador” durante uma sessão da comissão.
No documento, Gaspar argumenta que a acusação é falsa e repugnante, afirmando que ele é um homem de bem, casado há 36 anos e com valores cristãos. A ação visa responsabilizar Lindbergh e Soraya pelos crimes de calúnia e injúria.
A Gazeta do Povo contatou os parlamentares citados, e o espaço para manifestação permanece aberto. A decisão de levar o caso ao STF demonstra a seriedade com que Gaspar trata as acusações, buscando reparação legal para o que considera um ataque à sua honra.
Origem da discórdia: um trecho de relatório e um apelido polêmico
A desavença entre os parlamentares teve início quando Alfredo Gaspar leu um trecho de seu relatório citando uma famosa discussão entre os ministros do STF, Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes, ocorrida em 2018. Na ocasião, Barroso disse a Mendes: “Me deixe de fora desse seu mau sentimento. Você é uma pessoa horrível. Uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia”.
Gaspar, ao que parece, utilizou a citação para comentar o vazamento de quebras de sigilo de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a decisão que anulou a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”. Lindbergh Farias questionou a natureza do relatório, e Gaspar rebateu chamando-o de “Deputado Lindinho”, apelido presente na lista de propinas da construtora Odebrecht.
O “estuprador” e a inclusão de Soraya Thronicke na queixa-crime
Em resposta à provocação com o apelido, Lindbergh Farias proferiu a acusação de “estuprador” contra Alfredo Gaspar, afirmando que “estuprou corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil, ladrão, corrupto”. O relator da CPMI, por sua vez, também recebeu aplausos ao responder.
A senadora Soraya Thronicke foi incluída na queixa-crime por ter participado de uma coletiva de imprensa onde Lindbergh reforçou a acusação. Gaspar alega que as falas causaram dano in re ipsa, ou seja, um dano que se prova por si só, sem a necessidade de demonstrar reações negativas externas.
Pedido de relatoria e testemunhas indicadas por Gaspar
Alfredo Gaspar solicitou que o ministro André Mendonça seja o relator da queixa-crime, devido à sua atuação em casos relacionados à CPMI. Os crimes atribuídos aos parlamentares são calúnia e injúria, com o objetivo de responsabilizá-los pelas ofensas.
Para corroborar sua versão, Gaspar indicou como testemunhas os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Magno Malta (PL-ES), além dos deputados federais Bia Kicis (PL-DF), Adriana Ventura (Novo-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS). A situação evidencia o clima de tensão e as fortes divergências políticas dentro da CPMI do INSS.