Ata do Copom revela que gastos do governo Lula e incertezas fiscais são os maiores vilões para os juros, superando o impacto da guerra no Oriente Médio.
A mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe à tona preocupações que vão além do conflito no Oriente Médio. Embora a instabilidade geopolítica tenha sido um fator considerado, a análise aprofundada do Banco Central indica que a **irresponsabilidade fiscal do governo petista** e a falta de clareza sobre a sustentabilidade da dívida pública exercem uma pressão maior sobre a taxa de juros.
O documento, divulgado após a decisão de reduzir a Selic em 0,25%, detalha os argumentos que levaram a uma moderação no corte, que poderia ter sido mais expressivo. A **gastança desenfreada do governo** e seus efeitos na demanda agregada foram amplamente discutidos, evidenciando como a política fiscal impacta diretamente a inflação e a necessidade de manter os juros em patamares mais elevados para controlá-la.
Conforme informação divulgada pelo Banco Central, a ata destaca que a política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que afeta a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e o prêmio a termo da curva de juros. Uma política fiscal responsável, segundo o BC, contribui para a redução do risco e favorece a convergência da inflação para a meta.
Irresponsabilidade fiscal do governo Lula freia corte de juros
A ata do Copom dedica um espaço considerável para analisar os efeitos da política fiscal brasileira. Os diretores do Banco Central expressaram preocupação com o **esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal**, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública. Esses fatores, segundo a análise, têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia.
Em outras palavras, a falta de controle nos gastos públicos e o estímulo ao consumo promovido pelo governo Lula estão **dificultando a queda da taxa Selic**. Se o governo tivesse uma postura mais fiscalmente responsável, a redução dos juros poderia ser mais expressiva, mesmo diante de um cenário internacional instável. A expectativa é que a política monetária se torne menos potente, aumentando o custo da desinflação em termos de atividade econômica.
Guerra no Oriente Médio: um gatilho, mas não o principal vilão
O ataque norte-americano e israelense ao Irã foi reconhecido como um gatilho relevante para a recente alta nas expectativas de inflação. O comunicado da reunião do Copom já havia mencionado que as expectativas inflacionárias, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio. A incerteza sobre a duração da guerra e o impacto nos preços do petróleo são fatores que geram volatilidade.
No entanto, a ata deixa claro que, apesar da importância do conflito, a **situação fiscal interna é o fator de maior preocupação** para o Banco Central. A dificuldade em prever o comportamento dos preços do petróleo e a duração da guerra são incertezas globais, mas os problemas fiscais brasileiros são uma realidade que exige atenção imediata e medidas concretas por parte do governo.
Mercado de trabalho e salários: um alerta do Banco Central
Outro ponto de atenção na ata do Copom refere-se ao mercado de trabalho. O comitê observou que a taxa de desemprego se mantém em patamares historicamente baixos, enquanto os rendimentos reais médios têm apresentado uma tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho. Essa dinâmica pode gerar pressões inflacionárias, como já alertado anteriormente pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
Essa observação evoca um episódio passado em que o presidente Lula distorceu falas de Campos Neto sobre o tema. Na ocasião, o presidente do BC explicou que o aumento de salários sem o correspondente aumento de produtividade pode iniciar um processo inflacionário. Lula, contudo, acusou Campos Neto de não querer que os brasileiros ganhassem mais, omitindo a crucial relação com a produtividade. A ata atual reforça a importância dessa análise para a política monetária.
O legado do “terraplanismo econômico” petista
O texto faz um paralelo com a chamada “Nova Matriz Econômica” do governo anterior, que resultou em uma severa recessão em 2015-2016. A estratégia de estimular o consumo para sustentar o aquecimento da economia, segundo a análise, pode trazer prejuízos ainda maiores ao país no médio e longo prazos. A **irresponsabilidade fiscal e o “terraplanismo econômico”** são vistos como mais devastadores do que crises externas.
A conclusão é que, enquanto os efeitos da guerra no Oriente Médio são intensos no momento, a repetição de estratégias econômicas passadas, focadas no estímulo ao consumo sem o devido controle fiscal, representa uma ameaça mais significativa para o futuro do Brasil. O Banco Central, através da ata do Copom, envia um claro alerta sobre os riscos da **gastança desenfreada e da falta de disciplina fiscal**.