O recuo do alarmismo climático e a redefinição de prioridades globais.
O economista e cientista político dinamarquês Bjorn Lomborg, conhecido por sua abordagem crítica ao catastrofismo ambiental, observa um significativo declínio na retórica alarmista sobre as mudanças climáticas. Em seu artigo mais recente, ele aponta que o Fórum de Davos, tradicionalmente palco de debates sobre a crise climática, viu o tema perder proeminência. Líderes políticos e a mídia também parecem estar se distanciando da agenda de descarbonização acelerada.
Essa mudança de foco, segundo Lomborg, não se deve apenas a eventos políticos específicos, mas a uma crescente saturação do público com narrativas apocalípticas. Preocupações econômicas imediatas, como custo de vida e energia acessível, têm ganhado precedência na agenda eleitoral e midiática, especialmente no Hemisfério Norte. Essa realidade, conforme aponta o autor, está forçando até mesmo defensores fervorosos do clima a moderarem seus discursos.
A análise de Lomborg, baseada em dados e tendências recentes, sugere que a abordagem alarmista tem se mostrado contraproducente, levando a políticas ineficazes e custosas. Ele defende um realinhamento para políticas mais pragmáticas, focadas na adaptação e na resolução de problemas mais prementes, como pobreza e doenças, em vez de priorizar restrições econômicas baseadas em previsões catastróficas. Essas informações foram divulgadas em seu artigo “Por que o recuo global do alarmismo climático é uma boa coisa”.
Mudança de Tom em Davos e na Política Global
Lomborg destaca a ausência da transição climática no discurso da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em Davos, contrastando com anos anteriores. Nos Estados Unidos, políticos democratas também têm deixado de lado as mudanças climáticas como tema central de suas campanhas, priorizando questões como acessibilidade, preços baixos de energia e alívio econômico imediato. O prefeito de Nova York, por exemplo, focou sua campanha em questões de custo de vida.
Eleitores Priorizam Preocupações Financeiras
Pesquisas indicam que eleitores em estados decisivos priorizam preocupações financeiras sobre ameaças ambientais abstratas. Estrategistas políticos aconselham a evitar a menção direta a “mudanças climáticas”, pois a expressão pode gerar uma impressão negativa nos eleitores. Essa tendência reflete um público cansado do alarmismo constante, que não tem se traduzido em ganhos políticos significativos para a causa ambiental.
Menos Notícias, Menos Preocupação
A cobertura midiática sobre mudanças climáticas também diminuiu. Um levantamento do Washington Post mostrou que 2025 registrou o menor número de menções ao tema desde o início do monitoramento em 2022. Essa redução na atenção da mídia e do público sugere um alinhamento com a percepção popular de que as mudanças climáticas ocupam uma posição mais baixa na lista de prioridades, mesmo em comparação com outras preocupações ambientais.
Desastres Naturais e a Eficácia da Adaptação
Lomborg contesta a ideia de que eventos meteorológicos extremos se agravaram drasticamente devido às mudanças climáticas. Ele apresenta dados que mostram uma redução acentuada nas mortes por desastres relacionados ao tempo ao longo do último século, apesar do crescimento populacional. As mortes anuais, que chegavam a quase meio milhão na década de 1920, caíram para menos de 10 mil no ano passado, uma redução de mais de 97%. Esse progresso é atribuído a melhores sistemas de alerta, infraestrutura robusta e adaptação, provando ser mais eficaz do que restrições baseadas no medo.
China e Alemanha: Paradigmas Questionáveis de Transição Energética
O autor critica a dependência de combustíveis fósseis na China, apesar de sua retórica sobre energias renováveis. A energia fóssil atingiu o pico de 92% em 2011 e permaneceu em 87% em 2023. A Alemanha, por sua vez, é apontada como um exemplo clássico de decisões ruins e custosas impulsionadas pelo medo climático, com sua transição energética sendo descrita como a “mais cara do mundo”.
A Mensagem de Lomborg: Pragmatismo e Inovação
A mensagem central de Lomborg é que táticas de medo exageradas levaram a políticas ruins e reações políticas negativas. Ele defende a necessidade de focar no que funciona, fornecendo energia barata e segura para impulsionar a prosperidade, enquanto se investe em inovação para um futuro mais verde. Essa abordagem pragmática visa substituir o alarmismo por soluções eficazes e sustentáveis.