Câmara dos EUA avalia sanções contra compradores de petróleo russo, com Brasil sob risco
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos se prepara para votar um projeto de lei que pode impor tarifas de até 100% sobre produtos de países que continuam adquirindo petróleo e gás russos. O Brasil figura entre os principais destinos desses produtos, levantando preocupações sobre o impacto nas exportações brasileiras.
A proposta, que já foi aprovada pelo Senado, visa aumentar a pressão sobre a Rússia, financiando suas ações através da venda de energia. A legislação, batizada de “Lindsey O. Graham Sanctioning Russia and Iran Act of 2026”, dá ao governo americano ferramentas para penalizar nações que mantêm laços comerciais energéticos com Moscou.
A iniciativa, apoiada pela Casa Branca, busca desestimular a compra de energia russa vendida a preços reduzidos. Conforme dados recentes, o Brasil representa uma parcela significativa dessas importações, o que o coloca em uma posição delicada diante da nova legislação americana. A possível aplicação de tarifas sobre todas as exportações brasileiras para os EUA é um dos pontos de maior atenção.
Entenda o Projeto de Lei e o Posicionamento do Brasil
O projeto de lei, nomeado em homenagem ao falecido senador republicano Lindsey Graham, um influente articulador da medida, foi aprovado pelo Senado em agosto com ampla maioria. Uma emenda que visava remover as sanções contra compradores de energia russa foi rejeitada, reforçando o compromisso do Congresso americano em avançar com a proposta.
A legislação prevê que países que se enquadrem nos critérios de compra de petróleo ou gás russo, ou que facilitem a evasão das sanções já impostas, poderão ser alvo das tarifas adicionais. A determinação final sobre quais países serão afetados e o percentual exato das tarifas ficará a cargo do governo dos Estados Unidos.
Brasil entre os Maiores Compradores de Derivados Russos
Dados divulgados pelo think tank Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) indicam que o Brasil foi responsável por cerca de 11% das compras de derivados de petróleo exportados pela Rússia desde dezembro de 2022. Este percentual coloca o país na terceira posição, atrás apenas da Turquia (26%) e da China (12%), que lidera as compras de petróleo cru russo juntamente com a Índia.
A possibilidade de uma tarifa de até 100% sobre todos os produtos exportados para os Estados Unidos representa um risco considerável para a balança comercial brasileira. A tarifação adicional incidiria sobre os valores já existentes, aumentando significativamente o custo de produtos brasileiros no mercado americano.
Apoio da Casa Branca e Ampliação das Sanções
A Casa Branca manifestou formalmente seu apoio à versão do projeto aprovada pelo Senado. Em comunicado oficial, o governo Trump afirmou que a legislação amplia os instrumentos para pressionar Moscou e aumentar os custos para aqueles que mantêm negócios com entidades russas. A administração Trump indicou que, caso o projeto chegue à mesa do presidente, recomenda-se sua sanção.
Além das tarifas sobre países compradores de energia russa, o projeto de lei também autoriza a imposição de tarifas de até 500% sobre produtos importados diretamente da Rússia. Novas sanções contra autoridades, instituições financeiras e indivíduos ligados ao governo russo também estão previstas na proposta legislativa, demonstrando um endurecimento geral da política americana em relação à Rússia.