Campos Neto é convocado à força pela CPI do Crime Organizado após segunda falta sobre escândalo do Banco Master

Campos Neto é convocado à força pela CPI do Crime Organizado após segunda falta sobre escândalo do Banco Master

Resumo

Campos Neto convocado à força pela CPI do Crime Organizado após segunda falta

Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, faltou pela segunda vez a um convite para depor na CPI do Crime Organizado, nesta terça-feira (31), no Senado Federal. A ausência do executivo, que deveria prestar esclarecimentos sobre possíveis falhas na fiscalização bancária que teriam auxiliado a expansão de organizações criminosas e sobre o escândalo do Banco Master, levou à aprovação de uma convocação obrigatória.

A primeira ausência de Campos Neto ocorreu em 3 de março, mas ele obteve um habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou de comparecer. Na ocasião, o executivo se dispôs a responder por escrito às solicitações da comissão.

A decisão de convocar Campos Neto obrigatoriamente foi tomada após sua nova ausência, conforme anunciado pelo senador Alessandro Vieira, relator da CPI. A convocação visa obter informações cruciais sobre a gestão do Banco Central durante o período em que o Banco Master enfrentou suspeitas de irregularidades. Conforme informação divulgada pelo Senado Federal, a convocação do executivo será na condição de testemunha.

Comissão aprova convocação obrigatória de Campos Neto

Diante da persistência das ausências, o senador Alessandro Vieira solicitou a votação do requerimento de convocação obrigatória de Roberto Campos Neto. A proposta foi aprovada simbolicamente, sem objeções, com o objetivo de coletar informações essenciais para a investigação. Vieira destacou que as falhas nas instituições de controle, documentadas durante as apurações, são fundamentais para o andamento dos trabalhos da CPI.

O requerimento, proposto pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), visa coletar informações técnicas e estratégicas para esclarecer as irregularidades no Banco Master e aprimorar a legislação bancária. A CPI busca entender como o banqueiro Daniel Vorcaro conseguiu impulsionar seus negócios e as primeiras suspeitas de irregularidades em sua instituição financeira durante a gestão de Campos Neto no Banco Central.

Outras convocações e quebras de sigilo aprovadas pela CPI

Além de Roberto Campos Neto, a CPI do Crime Organizado também aprovou a convocação de outros nomes importantes. Foram chamados os ex-governadores Cláudio Castro (PL-RJ), do Rio de Janeiro, e Ibaneis Rocha (MDB-DF), do Distrito Federal, para prestar esclarecimentos sobre o crime organizado e o envolvimento do BRB no caso Master, respectivamente. A CPI também determinou a quebra dos sigilos de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro.

A comissão também aprovou requerimentos de informação sobre a aquisição do antigo Banco Máxima por Vorcaro, que deu origem ao Banco Master. Estão sendo apurados atos conduzidos por ex-diretores do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves e Belline Santana, que teriam recebido propina de Vorcaro em troca de informações privilegiadas sobre processos internos referentes ao Banco Master.

Decisões do STF e desdobramentos da investigação

Desde o início das investigações sobre o Banco Master, o STF tem concedido decisões que desobrigaram alguns convocados de comparecerem à CPI. Entre eles, estão os irmãos do ministro Dias Toffoli, José Eugênio e José Carlos, que foram sócios de um resort que negociou cotas acionárias com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro. A CPI busca aprofundar a investigação sobre as falhas na fiscalização bancária e os possíveis elos entre o crime organizado e o sistema financeiro.

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