Cármen Lúcia dá 5 dias para Sergio Moro se defender em ação por suposta calúnia contra Gilmar Mendes no STF

Cármen Lúcia dá 5 dias para Sergio Moro se defender em ação por suposta calúnia contra Gilmar Mendes no STF

Resumo

Cármen Lúcia concede prazo para defesa de Sergio Moro em ação de Gilmar Mendes no STF

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de cinco dias para que o senador Sergio Moro (PL) apresente sua defesa prévia. Moro é réu em uma ação penal por suposta calúnia contra o ministro Gilmar Mendes.

A decisão marca o início da fase de instrução processual, após tentativas da defesa de Moro de barrar o prosseguimento do caso terem sido esgotadas. O documento foi assinado na segunda-feira (4) e divulgado nesta sexta-feira (8).

Nesta etapa, a defesa de Moro poderá arrolar testemunhas, especificar provas a serem produzidas, substituir depoimentos de testemunhas abonatórias por declarações escritas e apresentar justificativas contra as acusações feitas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Conforme informado pelo STF, o interrogatório do senador ocorrerá apenas ao final da instrução processual, seguindo o rito do Código de Processo Penal.

Entenda o caso: vídeo polêmico e denúncia de calúnia

A ação judicial teve origem em abril de 2023, quando um vídeo viralizou nas redes sociais. Nas imagens, Sergio Moro aparece em uma festa junina, fazendo um comentário que sugeria a possibilidade de “comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”. A fala do ex-juiz da Lava Jato repercutiu amplamente.

Diante da repercussão, Gilmar Mendes acionou a PGR, que denunciou Moro pelo crime de calúnia. A acusação sustenta que o senador imputou falsamente o crime de corrupção passiva ao ministro. Na época, Moro minimizou a declaração, afirmando que ocorreu em um “contexto de brincadeira” e não representava seu pensamento real.

STF aceita denúncia e avança na instrução processual

Em 4 de junho de 2024, a Primeira Turma do STF aceitou a denúncia contra Sergio Moro por unanimidade. Na ocasião, a Corte rejeitou os argumentos da defesa que questionavam a competência do Supremo para julgar o caso e a inépcia da denúncia. O processo sofreu uma interrupção em outubro de 2025, quando o ministro Luiz Fux pediu vista dos autos. Contudo, em março de 2026, a Primeira Turma rejeitou os recursos por unanimidade, liberando o caminho para a continuidade da instrução.

Moro classifica ação como “absurda” e aponta “perfis da esquerda”

Em outubro de 2025, durante entrevista ao Podcast Direto de Brasília, Sergio Moro classificou a ação movida por Gilmar Mendes como “absurda”. O senador atribuiu a divulgação do vídeo a “perfis vinculados à esquerda”, alegando não ter interesse em divulgar ou gravar tal conteúdo. “É tão absurda a ação penal que eu não posso levar a sério”, declarou na ocasião.

Relações tensas entre Gilmar Mendes e figuras da Lava Jato

Gilmar Mendes é conhecido por suas críticas à Lava Jato, a Sergio Moro e ao ex-procurador Deltan Dallagnol. As divergências entre os magistrados e os expoentes da operação são públicas. Em uma sessão recente, Gilmar Mendes chegou a alfinetar o senador Alessandro Vieira, mencionando uma reunião onde teria dito a Moro para “aproveitar a biblioteca do Senado, que ela ensina”.

O ministro também criticou a ordem de prisão emitida por outro ministro do STF, André Mendonça, contra o empresário Daniel Vorcaro, comparando a retórica de Mendonça ao “messianismo punitivista” da Lava Jato. Gilmar Mendes classificou os métodos da operação como uma “aventura processual” que deixou “rastros de ineficiência e nulidades”.

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