Check-in Digital em Hoteis: Governo Lula Impõe Novas Regras e Enfrenta Críticas por Privacidade
Uma nova determinação do Ministério do Turismo, que tornou obrigatório o sistema de check-in 100% digital em hotéis, pousadas e outros meios de hospedagem no Brasil, está gerando intenso debate e forte oposição no Congresso Nacional. A medida, que entrou em vigor no último dia 20, exige que os estabelecimentos adotem integralmente o preenchimento antecipado e online de dados dos hóspedes por meio da plataforma gov.br.
A obrigatoriedade do check-in digital visa, segundo o governo, agilizar o processo de hospedagem, reduzir filas e promover a sustentabilidade com a eliminação do uso de papel. No entanto, a iniciativa tem sido vista por críticos como um avanço autoritário na vigilância sobre os cidadãos, levantando preocupações sobre a privacidade e o uso dos dados coletados.
Em resposta à medida, deputados do partido Novo apresentaram um projeto de decreto legislativo (PDL) com o objetivo de sustar as portarias do Ministério do Turismo que instituíram a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FNRH) digital. A proposta busca defender a privacidade dos brasileiros e barrar o que consideram um monitoramento excessivo por parte do governo federal. A controvérsia em torno do check-in digital se intensifica à medida que mais estabelecimentos são obrigados a aderir ao sistema.
Oposição no Congresso e Argumentos de Privacidade
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), um dos autores do PDL 136/2026, criticou veementemente a obrigatoriedade do check-in digital. Segundo ele, é contraditório que o mesmo governo que mantém informações sob sigilo em residências oficiais queira agora monitorar detalhadamente os deslocamentos e hospedagens de cidadãos comuns. A proposta, que conta com o apoio de outros deputados do Novo, visa proteger a privacidade e as liberdades individuais garantidas pela Constituição Federal.
Os parlamentares argumentam que os atos normativos do Ministério do Turismo extrapolam o poder regulamentar, impondo restrições indevidas. Na justificativa do PDL, destacam a necessidade de o governo comprovar claramente a finalidade pública e a proporcionalidade da medida. Eles afirmam que não há justificativa concreta que legitime a criação de um sistema nacional de rastreamento digital de cidadãos durante viagens, permitindo ao governo uma vigilância em tempo real através do check-in digital.
Adoção do Sistema e Posicionamento do Ministério do Turismo
O Ministério do Turismo informou que, até a semana passada, 3.773 dos 19.231 meios de hospedagem no Brasil já haviam aderido à iniciativa de check-in digital, que está sendo implementada gradativamente desde novembro de 2025. O ministro Gustavo Feliciano defendeu a medida, ressaltando os benefícios como a redução de filas, o aumento do conforto e da segurança para os hóspedes, além de reforçar as ações de sustentabilidade do governo Lula ao eliminar o uso de papel.
A pasta também esclareceu que a FNRH Digital, desenvolvida em parceria com o Serpro, cumpre rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo o ministério, o tratamento das informações ocorre em ambiente criptografado e controlado, buscando garantir a segurança dos dados. No entanto, questionamentos sobre o uso e compartilhamento dessas informações persistem entre a população nas redes sociais, gerando desconfiança em relação ao check-in digital.
Preocupações Populares e a LGPD
Apesar das garantias do Ministério do Turismo sobre a conformidade com a LGPD, parte da população expressa receio quanto ao armazenamento e potencial compartilhamento dos dados coletados pelo sistema de check-in digital. A falta de clareza sobre como essas informações serão utilizadas e com quem poderão ser compartilhadas alimenta as preocupações sobre a privacidade. O Ministério do Turismo foi contatado pela reportagem para comentar o uso específico dos dados na Ficha Digital, mas não retornou até o fechamento desta matéria, deixando o espaço aberto para futuras manifestações sobre o polêmico check-in digital.
O Futuro do Check-in Digital e a Vigilância Estatal
O debate em torno do check-in digital obrigatório em hotéis expõe uma tensão latente entre a busca por eficiência e modernização dos serviços públicos e a proteção dos direitos fundamentais à privacidade e à liberdade individual. Enquanto o governo defende os benefícios práticos e a segurança jurídica da medida, a oposição e parte da sociedade civil levantam bandeiras contra o que percebem como um potencial instrumento de vigilância estatal. O desenrolar do PDL no Congresso e as possíveis respostas do governo determinarão o futuro do check-in digital no Brasil e o nível de proteção à privacidade dos cidadãos em suas viagens.