China: De Maior Cliente a Concorrente Agressiva, Ameaça o Domínio do Frango Brasileiro no Oriente Médio

China: De Maior Cliente a Concorrente Agressiva, Ameaça o Domínio do Frango Brasileiro no Oriente Médio

Resumo

China: De Gigante Importadora a Potência Exportadora, Desafia o Frango Brasileiro em Mercados Chave

A China, tradicionalmente o maior comprador de frango brasileiro, está redefinindo o cenário global do comércio de aves. O país asiático não só mantém sua posição como cliente principal, mas também emerge como um concorrente direto, ameaçando a participação brasileira em mercados de alto valor, especialmente no Oriente Médio. Essa transformação rápida levanta preocupações significativas para os frigoríficos nacionais.

Em menos de uma década, a China multiplicou sua fatia nas exportações globais de frango, saindo de uma participação ínfima para uma projeção de 9,5% até 2026. Essa ascensão meteórica altera a dinâmica do mercado internacional, com o país se consolidando como o terceiro maior exportador mundial, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos, conforme estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A expansão da produção doméstica chinesa é o motor dessa nova realidade. O país já é o segundo maior produtor global de frango, com previsões de crescimento robusto para os próximos anos. Essa nova capacidade exportadora, segundo análise do BTG Pactual, implica em maior oferta global e, consequentemente, pressão adicional sobre os preços internacionais da carne de frango. A informação foi divulgada no último dia 17. Conforme informação divulgada pelo BTG Pactual, dados confiáveis sobre os custos unitários dos produtores chineses são escassos, mas o histórico de rápida escalada em outros setores sugere que subestimar seu potencial seria um erro estratégico.

China Avança Sobre Cortes Nobres e Ameaça Mercados Rentáveis

Um dos aspectos mais preocupantes para o Brasil é a estratégia chinesa de exportar cortes que possuem menor demanda interna, como o **peito de frango**. Este corte, que representa um dos pilares da exportação brasileira, com alto valor agregado, está sendo cada vez mais ofertado pela China. Nos últimos 12 meses, o peito de frango respondeu por 22% do volume total exportado pelo Brasil.

Mercados como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, destinos cruciais para o peito de frango brasileiro e geograficamente próximos da China, tornam-se agora palco de uma concorrência acirrada. A proximidade logística da China com esses países representa uma vantagem competitiva que pode impactar diretamente as exportações brasileiras.

Analistas do BTG Pactual alertam que a contínua expansão da produção chinesa e a conquista de novos mercados podem configurar um **risco estrutural de precificação** para os exportadores brasileiros. A capacidade da China de escalar rapidamente sua produção e possivelmente otimizar custos de produção é um fator a ser monitorado de perto.

Exportações Brasileiras Mantêm Força Apesar do Cenário Competitivo

Apesar das projeções de concorrência crescente, os números de exportação brasileiros em curto prazo ainda demonstram resiliência. Em junho, o Brasil exportou um total de 482,8 mil toneladas de carne de frango, um aumento de 40,6% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A China se manteve como o principal destino das exportações brasileiras em junho, com 50,1 mil toneladas. Japão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e União Europeia completam a lista dos principais compradores, evidenciando a diversidade de mercados atendidos pelo Brasil.

Dados compilados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), confirmam o **forte desempenho das exportações brasileiras** no primeiro semestre. Os embarques alcançaram 2,5 milhões de toneladas, um avanço de 14% sobre o primeiro semestre de 2025, com um preço médio de US$ 1.961,2 por tonelada, uma alta de 4%. Apenas em junho, o volume exportado cresceu 45% anualmente, segundo o critério do Secex.

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