Zema critica “frutas podres” no STF e defende impeachment de ministros
O candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, voltou a afirmar que é preciso remover “três frutas podres” do Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita em entrevista ao portal Metrópoles nesta segunda-feira (27).
Zema defende a renovação do Senado como um caminho para viabilizar processos de impeachment contra ministros da Corte. Ele argumenta que a atual configuração política dificulta a responsabilização de membros do Judiciário.
Sem mencionar nominalmente os ministros, o candidato detalhou suas críticas, referindo-se a um ministro cuja esposa teria fechado um contrato de R$ 129 milhões, outro envolvido em uma transação de R$ 35 milhões e um terceiro que recebeu apoio para congressos jurídicos. A declaração atribui a situação a um “banqueiro bandido” que teria enriquecido a todos.
Detalhes das acusações de Zema contra ministros do STF
As críticas de Romeu Zema parecem se direcionar a ministros específicos. O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões por três anos com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. O escritório de advocacia negou qualquer irregularidade.
Já o ministro Dias Toffoli teve seu nome ligado a investigações da Polícia Federal após menções em celular de um banqueiro. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que um fundo usado pelo banqueiro para comprar parte do resort Tayayá, que pertencia a uma empresa do ministro, investiu R$ 35 milhões no empreendimento. Toffoli confirmou ser sócio de irmãos em uma empresa com participação no resort, mas negou relação financeira com Vorcaro.
O ministro Gilmar Mendes foi alvo de críticas pela Folha de S. Paulo em abril, que revelou que o Banco Master financiou eventos paralelos ao Fórum Jurídico de Lisboa, apelidado de “Gilmarpalooza”, e custeou despesas de autoridades brasileiras em Londres. Gilmar Mendes já moveu uma ação contra Zema por suposta calúnia, após o ex-governador divulgar vídeos com fantoches representando os ministros.
Zema questiona a “república de bananas” e a desigualdade brasileira
Em sua entrevista, Zema questionou se o Brasil continuará sendo uma “república de bananas”, onde alguns enriquecem enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades financeiras. Ele ressaltou que o brasileiro é “o mais endividado da história” e luta para pagar as contas.
“A crise já está instalada e para resolvê-la nós precisamos, para o bem do Supremo e do Brasil, eliminar essas frutas podres”, declarou o candidato, reforçando a necessidade de “eliminar” os ministros que, em sua visão, prejudicam a imagem e a credibilidade da Corte.
O que dizem os ministros e seus escritórios
O escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, afirmou que não houve qualquer irregularidade no contrato de consultoria com o Banco Master. A defesa de Moraes ressalta a legalidade do ato.
Dias Toffoli chegou a relatar o caso Master no STF, mas se afastou após as investigações da Polícia Federal. Ele reiterou que, embora tenha tido participação societária em uma empresa ligada ao resort, jamais teve relação financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Gilmar Mendes, por sua vez, buscou a Justiça contra Romeu Zema. A ação por calúnia foi motivada pela divulgação de vídeos satirizando o ministro e Dias Toffoli em relação a investigações sobre o crime organizado.