Cilia Flores: A Poderosa “Primeira-Combatente” da Venezuela Acusada de Nepotismo e Envolvimento em Tráfico de Drogas
Cilia Adela Flores de Maduro, advogada de 69 anos e esposa do ditador Nicolás Maduro, é uma figura central no chavismo venezuelano. Conhecida como a “primeira-combatente”, um título criado por Maduro para substituir o termo “primeira-dama”, Cilia enfrenta acusações nos Estados Unidos, incluindo narcortráfico.
Sua influência se estende por décadas, desde a fundação do Movimento Quinta República até sua ascensão como a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela. Durante seu mandato, o escrutínio público se intensificou devido a alegações de nepotismo, com mais de 40 parentes empregados em cargos públicos.
Essas revelações levaram à criação do termo “jardim de Cilia” para descrever o esquema de favorecimento familiar. Apesar das críticas, Cilia Flores sempre defendeu sua família, declarando orgulho e compromisso em defender o trabalho de seus parentes. Conforme noticiado pelo jornal El Mundo, a sua atuação nos bastidores rendeu-lhe apelidos como “Lady Macbeth” e “Bruxa Escarlate”. A informação foi divulgada conforme as fontes disponíveis.
Origens e Ascensão Política de Cilia Flores
Nascida em Tinaquillo, Cilia Flores teve uma infância de classe média baixa em Cojedes. A família mudou-se para Caracas em busca de melhores oportunidades. Iniciou sua carreira como escrivã e formou-se em Direito pela Universidade Santa María, com especialização em Direito Penal e Trabalhista. Católica praticante, Cilia foi casada anteriormente com Walter Rodríguez, com quem teve três filhos.
Seu encontro com Nicolás Maduro ocorreu em 1994, durante o processo que levou à libertação de Hugo Chávez da prisão após a tentativa de golpe de 1992. Enquanto mantinha um relacionamento com Maduro, Cilia Flores construiu sua própria carreira política, fundando o Movimento Quinta República em 1997 e sendo eleita para a Assembleia Nacional em 2000.
O Poder e o “Jardim de Cilia”
Em 2006, Cilia Flores alcançou um marco ao se tornar a primeira mulher eleita presidente da Assembleia Nacional, sucedendo o próprio Maduro, que assumiria o Ministério das Relações Exteriores. O casal formalizou a união em 2013, quase 20 anos após se conhecerem. Durante sua liderança na Assembleia, Cilia Flores foi acusada de consolidar seu poder ao posicionar parentes e aliados em postos estratégicos, além de politizar o sistema judicial.
O esquema de nepotismo, conhecido como “jardim de Cilia”, envolveu a contratação de mais de 40 parentes seus. Mesmo após sua saída do cargo em 2012, alguns familiares foram realocados em outras posições dentro do regime, demonstrando a persistência de sua influência. Entre os nomeados estavam seu ex-marido policial, que presidiu a Fundação Negra Hipólita, e a sogra de um de seus filhos, Magali Viña, que liderou o Instituto Nacional de Serviços Sociais.
Os “Narcosobrinos” e Acusações de Enriquecimento
A família Flores também esteve no centro do escândalo “Narcosobrinos”. Em novembro de 2015, os sobrinhos Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas foram presos no Haiti, acusados de tentar transportar centenas de quilos de cocaína para os Estados Unidos. Eles foram condenados por tráfico de drogas em 2016, em uma ação classificada por aliados do governo como um “sequestro” pela DEA. Cilia Flores também foi acusada de controlar cortes superiores e de construir uma rede de extorsão judicial, que teria enriquecido um grupo de mulheres ligadas ao regime.
A família Flores tem sido associada ao enriquecimento ilícito, ostentando casas de luxo, viagens em jatos privados e um estilo de vida suntuoso, contrastando com a grave crise econômica da Venezuela. Em 2014, seus filhos foram implicados em esquemas de empréstimos da estatal petrolífera PDVSA, conforme noticiado pela agência Reuters.
Sanções e Defesa de Maduro
Em 2018, Cilia Flores foi alvo de sanções do Canadá e do Panamá por “minar a democracia” e lavagem de dinheiro. Os Estados Unidos também a sancionaram, e ela foi proibida de entrar na Colômbia em 2019. Nicolás Maduro sempre a defendeu publicamente, com o bordão “Não se meta com Cilia, não se meta com a família” tornando-se conhecido. Durante seu tempo na Assembleia Nacional, Cilia também enfrentou críticas por restringir a liberdade de expressão, impedindo a entrada de jornalistas nas sessões.