Conselho de Ética Retoma Julgamento de Deputados por Ocupação da Mesa Diretora em Protesto Político

Conselho de Ética Retoma Julgamento de Deputados por Ocupação da Mesa Diretora em Protesto Político

Resumo

Conselho de Ética da Câmara Reinicia Análise de Processos Contra Deputados por Ocupação da Mesa Diretora em 2025

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados retoma, nesta terça-feira (7), a análise de processos que podem resultar na suspensão de três parlamentares. A acusação central envolve a participação na ocupação da Mesa Diretora em agosto de 2025, um protesto realizado em resposta a um mandado de prisão domiciliar preventiva contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os deputados Zé Trovão (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS) e Marcel Van Hattem (Novo-RS) foram representados no colegiado sob a alegação de conduta incompatível com o decoro parlamentar durante o ato. A investigação busca determinar a responsabilidade de cada um na paralisação das atividades legislativas.

A Corregedoria Parlamentar, após analisar as circunstâncias da ocupação, recomendou a suspensão dos mandatos por 30 dias. O relator do caso, deputado Moses Rodrigues (União-CE), apresentará seu parecer, que será submetido à votação. A decisão do Conselho de Ética poderá estabelecer um precedente importante sobre os limites da atuação política e protestos dentro do Congresso Nacional, conforme informações divulgadas.

Análise dos Casos de Marcos Pollon e Marcel Van Hattem

Na sessão desta terça-feira, a partir das 14h, será analisada a representação contra Marcos Pollon. Ele é acusado de ter sentado na cadeira do presidente da Câmara, Arthur Lira, impedindo a continuidade dos trabalhos. Marcel Van Hattem também é alvo de representação por ter se sentado em uma das cadeiras da Mesa Diretora, com o objetivo de bloquear o acesso do presidente da Casa.

As representações foram apresentadas por deputados da base governista. A Corregedoria Parlamentar, ao analisar os fatos, concluiu que os atos podem configurar desrespeito à autoridade da Mesa e afronta à institucionalidade do Poder Legislativo. A recomendação de suspensão de 30 dias reflete a gravidade atribuída pela investigação.

Acusações Contra Zé Trovão e Defesa dos Parlamentares

No caso de Zé Trovão, a representação detalha que o deputado teria impedido fisicamente a subida de Arthur Lira, formando uma barreira com o próprio corpo e utilizando a perna para obstruir o acesso à escada. Essa conduta, segundo os documentos, teria contribuído diretamente para a paralisação das atividades legislativas naquele momento.

Os parlamentares citados negam as irregularidades, sustentando que suas ações estavam dentro dos limites da atuação política e do direito de protesto. Zé Trovão, por exemplo, afirmou que a acusação “carece de precisão” e apresenta versões que “não refletem a realidade dos acontecimentos”.

Argumentos de Defesa e Contexto Histórico

Marcel Van Hattem argumentou que a ocupação foi um protesto contra o que chamou de “descumprimento de diversos acordos políticos pela cúpula do Congresso Nacional”. Ele defende que a ação está amparada pelo direito de reunião e pela obstrução parlamentar, e que uma eventual punição não deveria ir além de uma censura verbal.

Marcos Pollon declarou que sua conduta foi um “gesto político protegido pela imunidade parlamentar”, destacando que a obstrução é um instrumento historicamente utilizado no Legislativo. Ele também afirmou que não houve intenção de impedir o funcionamento da Câmara, e que a interrupção foi momentânea. Em sua defesa, Pollon alegou ter sido diagnosticado com autismo e que “não estava entendendo o que estava acontecendo na hora”.

O Contexto do Protesto em 2025

O protesto ocorreu em um momento de alta tensão política, quando o ministro Alexandre de Moraes havia decretado a prisão de Jair Bolsonaro. O mandado de prisão estava atrelado à tramitação do processo sobre a suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O Congresso Nacional estava em recesso, e parlamentares tentavam forçar os presidentes das duas casas a marcarem uma sessão extraordinária.

O objetivo era votar um projeto de lei que propunha uma anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A tentativa de forçar a pauta legislativa em meio a um recesso e a um contexto de forte polarização política levou à ocupação da Mesa Diretora e, subsequentemente, às representações no Conselho de Ética.

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