CPI do Crime Organizado Investiga Pagamento de R$ 80 Milhões do Banco Master ao Escritório da Mulher de Alexandre de Moraes

CPI do Crime Organizado Investiga Pagamento de R$ 80 Milhões do Banco Master ao Escritório da Mulher de Alexandre de Moraes

Resumo

CPI do Crime Organizado em Foco: Pagamentos Milionários ao Escritório da Esposa de Moraes Viram Alvo Central

Um documento sigiloso da Receita Federal, enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, trouxe à tona informações sobre pagamentos que ultrapassam a marca de R$ 80 milhões. Esses valores foram transferidos pelo Banco Master ao escritório de advocacia ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

As informações confirmadas por fontes que tiveram acesso aos dados colocam esses repasses no centro das investigações da CPI. A divulgação desses valores, segundo parlamentares, pode ter sido omitida em remessas anteriores de dados solicitados ao Fisco, o que levantou questionamentos sobre a completude das informações inicialmente prestadas à comissão.

O escritório de Viviane Barci de Moraes, por sua vez, questionou a forma como os dados vieram a público, classificando as informações como incorretas e obtidas de maneira indevida. A defesa ressaltou que dados fiscais são protegidos por sigilo e se recusou a comentar detalhes sobre os valores ou registros divulgados, reafirmando que a atuação profissional ocorreu dentro da legalidade, com prestação de serviços de consultoria jurídica por quase dois anos.

Detalhes Financeiros e Cronologia dos Pagamentos

De acordo com os dados fiscais obtidos pela CPI, os valores foram declarados pelo Banco Master entre o início de 2024 e o final do ano passado. Os pagamentos foram realizados por meio de retenções de impostos na fonte, um mecanismo comum quando há pagamento por prestação de serviços. A documentação indica que os repasses tiveram início em fevereiro do ano retrasado e se estenderam até novembro de 2025.

As parcelas mensais giram em torno de R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 80,2 milhões. Desse montante, aproximadamente R$ 4,9 milhões foram recolhidos em tributos. A existência de um contrato entre o banco e o escritório já era de conhecimento público, mas os valores exatos e a extensão dos repasses só foram revelados agora à CPI.

Foco da CPI e Possíveis Obstáculos na Investigação

Com a inclusão dessas novas informações, o fluxo financeiro entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes torna-se um dos eixos prioritários da CPI. Parlamentares buscam entender a natureza dos serviços prestados, a proporcionalidade dos valores envolvidos e possíveis conexões com outras frentes investigadas pela comissão.

Um dos possíveis entraves para aprofundar a apuração desses pagamentos é o prazo limitado de atuação da CPI, que tem seu encerramento previsto para esta semana. A decisão sobre a prorrogação do prazo, ou não, caberá ao Supremo Tribunal Federal. Sem a extensão, os parlamentares podem não ter tempo suficiente para se aprofundar nesse levantamento financeiro.

Pressão Política e Contexto Institucional

Membros da CPI apontam que a omissão inicial desses dados comprometeu a linha de apuração e atrasou o aprofundamento das investigações. O volume expressivo dos pagamentos, aliado ao contexto institucional, amplia a pressão política sobre a comissão, especialmente diante da proximidade do fim dos seus trabalhos. A CPI pretende investigar a fundo a natureza dos serviços prestados e a legalidade dos pagamentos.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes já se manifestou publicamente em março, negando irregularidades e afirmando que a atuação profissional ocorreu dentro da legalidade. A defesa alega que foram prestados serviços de consultoria jurídica ao longo de quase dois anos, dentro dos trâmites legais e contratuais estabelecidos.

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