Assembleia do Amapá articula CPI para investigar R$ 400 milhões em investimentos no Banco Master, após liquidação da instituição financeira
Deputados estaduais do Amapá estão se movimentando para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar os investimentos realizados pela previdência estadual, através da Amapá Previdência (Amprev), no Banco Master. A iniciativa surge em um momento de apreensão, especialmente após a recente liquidação do Banco Master pelo Banco Central, levantando preocupações sobre a segurança dos fundos de aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos estaduais.
A proposta de CPI surge como uma resposta direta a alertas sobre a aplicação de vultosos recursos, na ordem de R$ 400 milhões, em títulos considerados de alto risco e desprovidos de garantias. A preocupação central é que tais investimentos possam comprometer o pagamento futuro de benefícios, afetando diretamente a vida de aposentados e pensionistas. A ação na esfera estadual ganha destaque, considerando que pedidos semelhantes de investigação no Congresso Nacional ainda enfrentam obstáculos políticos.
Conforme apurado pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo, a intenção dos parlamentares amapaenses é dar andamento a uma investigação que, em nível federal, tem encontrado resistência. A CPI na Assembleia Legislativa do Amapá promete dar celeridade à apuração dos fatos, buscando esclarecer a responsabilidade de gestores e conselheiros envolvidos nas decisões de investimento. Acompanhe os desdobramentos desta importante investigação.
Jocildo Lemos, ex-presidente da Amprev, é um dos focos da investigação
O nome de Jocildo Lemos, ex-presidente da Amapá Previdência (Amprev), figura como um dos principais alvos da potencial CPI. Sua renúncia recente, após operações da Polícia Federal, intensifica o escrutínio sobre sua gestão. Lemos é apontado como uma indicação política do senador Davi Alcolumbre, o que adiciona uma camada de complexidade política ao caso. Além dele, conselheiros que teriam aprovado os investimentos, mesmo diante de alertas de risco, também estão sob observação das autoridades.
Entraves políticos impedem avanço das investigações no Congresso Nacional
Apesar de haver um número suficiente de assinaturas para a instauração de CPIs tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal, os pedidos relacionados ao caso Banco Master permanecem travados. No Senado, o requerimento ainda não foi lido pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Já na Câmara, o presidente Arthur Lira indicou que o caso Master figura em uma extensa fila de investigações prioritárias, o que sugere um longo caminho até que uma CPI federal seja efetivamente instalada e inicie seus trabalhos de apuração.
Relação da família Alcolumbre com a Amprev levanta questionamentos
A ligação da família Alcolumbre com a gestão da Amprev tem sido objeto de questionamentos. Embora o senador Davi Alcolumbre negue qualquer tipo de interferência no caso, Jocildo Lemos já declarou ter sido convidado pelo parlamentar para assumir a presidência da Amprev. Adicionalmente, Alberto Alcolumbre, irmão do senador, ocupou posições em conselhos importantes da Amprev, como o Conselho Fiscal e o Conselho de Previdência, órgãos diretamente responsáveis pela fiscalização da aplicação dos recursos dos servidores públicos estaduais. Essa proximidade levanta dúvidas sobre a independência e a transparência dos processos decisórios.
CPI na Assembleia do Amapá terá poderes para quebrar sigilos e convocar depoentes
Caso a CPI seja formalmente instalada na Assembleia Legislativa do Amapá, os deputados estaduais terão amplos poderes para conduzir a investigação. Isso inclui a prerrogativa de convocar depoentes, solicitar a quebra de sigilos bancários e fiscais, além de analisar documentos internos da Amprev. O objetivo principal será identificar se houve **gestão temerária ou fraudulenta** dos recursos públicos. Para a constituição da comissão, são necessárias **oito assinaturas** entre os 24 deputados estaduais, e até o momento, duas adesões já foram confirmadas, indicando um movimento em andamento para a formação do colegiado.