Relator da CPMI do INSS destaca descoberta de esquema de lavagem de dinheiro de R$ 39 bilhões e aponta entraves para investigações.
A maior revelação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, segundo seu relator, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), foi a identificação de um complexo núcleo criminoso dedicado à lavagem de dinheiro. Esse esquema movimentou cerca de R$ 39 bilhões, segundo estimativas, e estaria a serviço de autoridades corruptas, facções criminosas e jogos ilegais.
Gaspar expressou que a CPMI serviu como um “raio-x do Brasil do momento”, evidenciando como um mesmo centro de lavagem de dinheiro atende a diversas organizações criminosas, independentemente da origem dos fundos ilícitos. A investigação, no entanto, teria sido prejudicada por uma “blindagem” da base governista no Congresso e por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esses fatores, de acordo com o relator, impediram que a CPMI aprofundasse as investigações sobre o poderoso núcleo de lavagem de dinheiro. A comissão foi encerrada em 1º de abril sem a aprovação de seu relatório final, que previa o indiciamento de 216 pessoas. As informações foram divulgadas em entrevista à Gazeta do Povo.
Descoberta de Esquema Bilionário e suas Ramificações
O deputado Alfredo Gaspar ressaltou que a CPMI do INSS iniciou as apurações a partir de desvios em descontos associativos e empréstimos consignados. Ao aprofundar essas investigações, a comissão deparou-se com uma “rede de lavagem de dinheiro bilionária” que movimentou aproximadamente R$ 39 bilhões. Esse núcleo centralizado recebia fundos de diversas fontes criminosas, utilizando mecanismos variados para a lavagem de dinheiro, incluindo criptoativos e investimentos imobiliários.
Gaspar explicou que o desconto associativo revelou uma organização criminosa que atuava dentro da previdência social, desviando mais de R$ 7 bilhões de aposentados e pensionistas. A investigação chegou a avançar em direção à presidência da República, com menção ao filho do presidente. Ao investigar os empréstimos consignados, a CPMI encontrou resistência do sistema financeiro, da base do governo e do próprio STF.
Obstrução e Decisões do STF Limitaram a CPMI
O relator da CPMI do INSS criticou o que chamou de “blindagem” imposta pela base governista e por decisões do STF, que teriam barrado convocações, rejeitado requerimentos e restringido o acesso a dados cruciais. Segundo Gaspar, quanto mais relevante o envolvimento de um indivíduo, maior a “blindagem” aplicada, dificultando o avanço das investigações.
Ele lamentou que a CPMI tenha sido impedida de investigar a fundo o “núcleo muito poderoso” de lavagem de dinheiro, citando a atuação de ministros do STF, como Alexandre de Moraes, e suas decisões sobre Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs). Gaspar acredita que as Casas Legislativas precisarão renovar o arcabouço legislativo para que CPIs futuras possam ter mais efetividade.
Críticas ao STF e Proposta de Repaginação do País
Alfredo Gaspar defendeu que o STF atue como um Tribunal Constitucional conceitual, evitando o julgamento de casos específicos para prevenir a politização. Ele criticou a influência de indicações políticas na composição do tribunal e sugeriu que ministros deveriam ter um perfil isento, sem histórico político ou cargos em governos anteriores.
O deputado expressou profunda preocupação com o que considera uma “corrupção generalizada” em todos os poderes e instituições do país. Para ele, a situação atual pode levar a uma “revolução popular” se não houver uma “repaginação do país”. Gaspar pretende encaminhar o material reunido pela CPMI ao STF, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, apostando na atuação de ministros como Luiz Fux e André Mendonça para dar continuidade às apurações.
Governo e a Comemoração do Fim da CPMI
O relator acusou a base do governo de atuar sob a condução do Palácio do Planalto, monitorando a CPMI e agindo de acordo com os interesses do governo para evitar a queda de popularidade. Gaspar destacou que o principal foco de proteção do governo foi o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que teria se associado a um operador financeiro envolvido em fraudes no INSS. O deputado mencionou viagens pagas por este operador e suspeitas de repasses a Roberta Luchsinger.
Gaspar afirmou que o governo atuou “descaradamente contra a prorrogação” da CPMI e comemorou seu encerramento, o que, em sua opinião, demonstra falta de boa-fé, pois uma investigação produtiva não deveria ser encerrada. A defesa de Lulinha negou participação nas fraudes, e os advogados de Roberta Luchsinger afirmaram que ela não tem ligação com as irregularidades.