Ex-presidente do BRB prepara colaboração premiada que pode abalar investigações envolvendo Daniel Vorcaro e autoridades públicas.
O cenário das investigações sobre o suposto esquema fraudulento envolvendo a tentativa de venda do Banco Master ao BRB pode sofrer uma reviravolta significativa. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, detido desde abril, prepara-se para apresentar sua colaboração premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
A expectativa é que a delação de Costa seja robusta e detalhada, podendo comprometer ou, no mínimo, tornar menos relevantes as versões apresentadas por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A colaboração de Costa pode trazer à tona informações cruciais sobre o fluxo financeiro e a recuperação de ativos bilionários.
Enquanto isso, as propostas de acordo de delação apresentadas por Vorcaro têm sido recebidas com ceticismo pelas autoridades, que apontam superficialidade e falta de fatos novos. A defesa de Costa tem mantido o silêncio, mas a iminência de sua colaboração gera grande expectativa no meio jurídico e investigativo. Estas informações são parte de apurações que indicam um possível confronto de versões, conforme noticiado por fontes a par do caso.
Revelações Chave na Delação de Paulo Henrique Costa
Um dos pontos centrais que devem ser abordados na colaboração de Paulo Henrique Costa é o suposto envolvimento do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em negociações para a aquisição do Banco Master. Costa, que teria chegado à presidência do BRB por indicação direta de Rocha, pode apresentar provas de que era necessário “alinhar o discurso” com o ex-governador para lidar com questionamentos sobre as transações.
Mensagens interceptadas já indicam essa necessidade de alinhamento. Ibaneis Rocha, por sua vez, declarou ter solicitado informações a Costa para entender a proposta de aquisição e defender a operação, o que, segundo ele, estaria dentro de suas atribuições como chefe do Executivo local, sem caracterizar interferência indevida. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do ano passado.
Imóveis de Luxo e Fluxo Financeiro em Destaque
Outro ponto crucial que Costa deve esclarecer é a suposta doação ou compra de seis imóveis de luxo, avaliados em quase R$ 150 milhões, que teriam sido destinados ao ex-presidente do BRB, adquiridos por Daniel Vorcaro. A Polícia Federal identificou mensagens em que Costa visitava os apartamentos com familiares, indicando a escolha de um imóvel para moradia futura.
Em diálogos, Costa teria afirmado que ele e Vorcaro estavam “juntando suas vidas”, e cobrava o andamento das transferências dos imóveis, discutindo detalhes das propriedades. A PF investiga se os imóveis foram oferecidos como contrapartida indevida para facilitar operações financeiras envolvendo aportes e aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB.
Rombo Bilionário no BRB e a Natureza das Transações
Investigadores esperam que a delação detalhe como o BRB comprou aproximadamente R$ 12 bilhões em produtos do Banco Master que outros bancos recusavam. O que se pensava serem “títulos podres” podem ter se revelado títulos fraudulentos, inexistentes, causando um severo rombo financeiro no BRB, que ainda não publicou seu balanço de 2025.
Espera-se também que Costa explique a natureza de suas conversas rotineiras com Vorcaro, confirmando se as alegações do ex-controlador do Master são verdadeiras e se havia uma estrutura de fraudes na gestão do banco estatal. A defesa do ex-gestor do BRB já teria indicado a possibilidade de rastreamento do fluxo financeiro e disposição em apontar autoridades beneficiadas.
Delação de Vorcaro Continua Sob Suspeita
Enquanto isso, a segunda proposta de colaboração de Daniel Vorcaro segue sendo recebida com ceticismo. O material entregue pela defesa não trouxe fatos inéditos ou informações capazes de alterar o cenário das investigações, repetindo temas já conhecidos e considerados insuficientes para a celebração de um acordo. Entre os assuntos abordados, foram citados o senador Ciro Nogueira e o financiamento do filme “Dark Horse”, mas sem detalhamento de ilegalidades.
Há a percepção de que Vorcaro evita envolver figuras públicas ou detalhar fatos que ampliariam o alcance das apurações. A palavra final sobre a homologação de acordos caberá ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso. A Polícia Federal, por sua vez, avança na análise de material apreendido em diversas fases da Operação Compliance Zero, não descartando novas etapas e investigando possíveis crimes de corrupção e organização criminosa.