Deputados de Oposição Denunciam Serem Usados como "Boi de Piranha" no Conselho de Ética da Câmara

Deputados de Oposição Denunciam Serem Usados como “Boi de Piranha” no Conselho de Ética da Câmara

Resumo

Oposição acusa Câmara de usar “boi de piranha” no Conselho de Ética após ocupação da Mesa Diretora

Deputados de oposição que participaram da ocupação da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em 2025 denunciam uma estratégia da alta cúpula do Parlamento para transformá-los em “bois de piranha”. A expressão foi utilizada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC), um dos alvos do Conselho de Ética, antes de uma reunião do órgão.

Segundo Trovão, outros parlamentares estiveram envolvidos no ato, mas seria conveniente para a liderança acusar apenas um trio. Ele acredita que a intenção é mostrar força e poder, apontando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e outras lideranças partidárias como os responsáveis pela manobra, por estarem insatisfeitas com a necessidade de negociação.

O caso remonta à ocupação da Mesa Diretora, que interrompeu os trabalhos legislativos após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de Zé Trovão, os deputados Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS) também foram representados no conselho. Van Hattem e Zé Trovão respondem por obstrução à cadeira do presidente, enquanto Pollon é acusado de obstruir a do vice. As punições podem acarretar em suspensão do mandato por até 90 dias, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.

A metáfora do “boi de piranha” e a raiva da cúpula

Zé Trovão explicou que um acordo teria sido simulado para a desocupação do espaço, algo que o presidente da Câmara negou posteriormente. O parlamentar afirma que a tentativa de punir apenas três deputados pelo episódio é resultado da “raiva” da cúpula por terem fingido uma negociação. “Fingiram fazer um acordo para nos fazer liberar a mesa e depois não o cumpriram. Feio não é fazer acordo, feio é não cumprir”, criticou Trovão.

Entenda o significado da expressão popular

O deputado Marcos Pollon (PL-MS) discorreu sobre a expressão popular, afirmando ser “muito comum” em seu estado. Ele explicou o sentido da metáfora: “Como diz a expressão, meu avô era tropeiro, reza a lenda que se pegava um boi velho, que era ferido e deixado no rio para atrair as piranhas, permitindo que o restante do rebanho passasse em segurança”, disse Pollon.

Conselho de Ética apura os fatos

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar conduz, até esta quarta-feira (11), oitivas para apurar os fatos relacionados à ocupação da Mesa Diretora. O objetivo é esclarecer a responsabilidade dos envolvidos e determinar as sanções cabíveis, caso comprovada a infração ao decoro parlamentar.

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