Novos registros revelam voos de Dias Toffoli em jatinhos associados a Daniel Vorcaro, empresário investigado por esquema financeiro.
Apenas um dia após a revelação de que o ministro Alexandre de Moraes utilizou voos de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, novos documentos indicam que o ministro Dias Toffoli também embarcou em jatinhos com conexões ao empresário preso por comandar um esquema de fraudes financeiras.
A apuração, divulgada pela Folha de S. Paulo, detalha pelo menos dez viagens de Toffoli em aeronaves particulares no ano passado. Deste total, cinco voos teriam ligações ou proximidade com Daniel Vorcaro, cujas empresas estão sob investigação por fraudes financeiras.
O caso ganha contornos ainda mais complexos ao cruzar informações de órgãos como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). As conexões apontam para empresas como a Petras Participações e a Ibrame, ambas com vínculos conhecidos com o empresário. A Gazeta do Povo buscou contato com o gabinete de Dias Toffoli e com a defesa de Vorcaro, mas não obteve retorno até o momento. Conforme informações divulgadas pela imprensa.
Vínculos com o Resort Tayayá e o empresário Daniel Vorcaro
Um dos pontos centrais da investigação reside na empresa Petras Participações, proprietária do resort de luxo Tayayá, no Paraná. Dias Toffoli e seus irmãos figuraram como sócios deste empreendimento, juntamente com um fundo ligado ao cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como um operador financeiro nas fraudes do Banco Master.
Registros indicam que, em 17 de junho, o ministro embarcou no terminal de Brasília às 10h, e minutos depois uma aeronave da Petras Participações partiu com destino a Ourinhos (SP), cidade próxima ao resort. Em 1º de outubro, Toffoli chegou ao terminal às 19h20, e uma aeronave da mesma empresa decolou para Congonhas. Dados de diárias de segurança apontam a presença de um ministro do STF na região do resort em datas coincidentes com esses deslocamentos.
Viagens e conexões com a Ibrame e o Banco Master
Outra empresa citada é a Ibrame, pertencente a Luiz Pastore. Toffoli utilizou um jatinho desta companhia para viajar ao Peru, no final de 2025, com o objetivo de assistir à final da Copa Libertadores da América. Na ocasião, o ministro estava acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende um executivo do Banco Master.
Toffoli e Pastore mantêm uma relação próxima, e foi em uma aeronave do empresário que o magistrado viajou para o Peru. A Ibrame, por meio da Prime Aviation, responsável por uma das aeronaves, alegou confidencialidade dos contratos e respeito à Lei Geral de Proteção de Dados, recusando-se a divulgar informações sobre os usuários.
Coincidências de horários e o caso do Banco Master
Registros oficiais, cruzados entre si, revelam coincidências nos horários de embarque de Dias Toffoli e de voos de aeronaves ligadas a empresas com conexões a Daniel Vorcaro. Em 4 de julho de 2025, por exemplo, um avião de prefixo PR-SAD, de modelo similar ao utilizado por Alexandre de Moraes em outras ocasiões, decolou com Toffoli a bordo rumo a Marília (SP), sua cidade natal.
Até o início deste ano, Dias Toffoli era o relator dos processos relacionados ao Banco Master no STF. Ele também mantinha silêncio sobre as apurações envolvendo o resort Tayayá, embora funcionários o considerassem proprietário do local. Após a Polícia Federal divulgar diálogos com o empresário Daniel Vorcaro, o ministro deixou o caso e se declarou suspeito em julgamentos relacionados à prisão preventiva de um executivo do Master.
Alexandre de Moraes, por sua vez, negou as acusações de ter viajado em jatinhos de Vorcaro, classificando as apurações como “fantasiosas” e “absolutamente falsas”. A Prime Aviation, empresa que administra algumas das aeronaves, pertence a um fundo de compartilhamento de bens de luxo, do qual Daniel Vorcaro foi sócio direto até setembro do ano passado.