Douglas Ruas assume a presidência da Alerj em meio a crise sucessória no Rio de Janeiro.
O deputado estadual Douglas Ruas, do PL, foi eleito o novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta sexta-feira, 17 de maio. A eleição ocorreu em meio a um cenário de instabilidade política no estado, com a linha sucessória para o governo ainda em aberto.
Apesar da nova liderança na Alerj, o governo do estado do Rio de Janeiro permanecerá sob o comando do desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). A situação só será definida após o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
A decisão do STF é crucial para resolver o impasse na sucessão do governo, impactando diretamente o futuro político do Rio de Janeiro. Acompanhe os detalhes e entenda o que está em jogo.
Eleição na Alerj marcada por protestos e ausências
Douglas Ruas foi eleito candidato único, recebendo 44 votos favoráveis. Em seu pronunciamento após a eleição, Ruas destacou a importância do diálogo entre as instituições para evitar a necessidade de medidas judiciais. Ele declarou, “Eu estou defendendo que a gente possa, através do diálogo entre as instituições, nos entendermos. Sem que seja necessário uma medida judicial, uma petição”.
A sessão contou com a ausência de deputados de partidos de oposição, como PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB e PSOL, que apoiam Eduardo Paes para o governo. Estes partidos deixaram a disputa em protesto contra a decisão da Justiça que manteve a votação aberta. Ao todo, 25 deputados não participaram da votação, e o deputado Jari Oliveira (PSB) se absteve.
O deputado Vitor Junior (PDT), que era apoiado por Eduardo Paes, também retirou sua candidatura em protesto. Douglas Ruas é visto como o pré-candidato do PL ao governo, com apoio do ex-governador Cláudio Castro.
Crise sucessória e o papel do ex-presidente da Alerj
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) tem sido palco de turbulências, incluindo a prisão do ex-presidente Rodrigo Bacellar (União) em dezembro do ano passado. Ele é investigado pelo suposto vazamento de informações sigilosas sobre uma operação policial. Bacellar chegou a ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi tornado inelegível.
Inicialmente, a Alerj revogou a prisão preventiva de Bacellar, mas ele foi preso novamente em março por ordem do ministro Alexandre de Moraes. A defesa de Bacellar classificou a nova prisão como “indevida e desnecessária”. A situação de Bacellar é um dos pontos centrais da crise que levou ao atual impasse sucessório.
Entenda o impasse na sucessão do Governo do Rio
O imbróglio na linha sucessória do governo do Rio de Janeiro começou após a renúncia do vice-governador Thiago Pampolha (MDB) em maio de 2025, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). Com o governador Cláudio Castro também fora do cenário devido à cassação de seu mandato pelo TSE, e com o ex-presidente da Alerj afastado, o comando do estado passou para o presidente do TJRJ.
O TSE havia determinado a realização de eleições indiretas para um mandato-tampão, onde os deputados estaduais escolheriam o novo governador. No entanto, o PSD acionou o STF para barrar essa eleição indireta. Em resposta, a Alerj realizou uma sessão e elegeu Douglas Ruas como presidente, mas o TJRJ anulou o resultado.
Posteriormente, o ministro Cristiano Zanin suspendeu a eleição indireta e manteve o presidente do TJRJ no cargo. O julgamento no STF sobre a realização de eleições diretas ou indiretas foi iniciado, com quatro votos a um pela manutenção da eleição indireta até o momento. O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo o julgamento.
Futuro do Governo do Rio depende da decisão do STF
A eleição de Douglas Ruas como presidente da Alerj não altera, por enquanto, a situação do comando do governo do estado. A definição sobre quem ocupará o Palácio Guanabara dependerá do julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O placar atual do julgamento é de 4 votos a 1 a favor da eleição indireta, com o ministro Luiz Fux, André Mendonça, Nunes Marques e Cármen Lúcia votando nesse sentido. O ministro Cristiano Zanin votou pela realização de uma eleição direta.
A decisão final do STF é aguardada com grande expectativa, pois definirá o futuro político do Rio de Janeiro e encerrará o período de incerteza na chefia do Poder Executivo estadual. A população aguarda um desfecho que traga estabilidade ao estado.