Ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebate duramente Javier Milei, chamando-o de “palhaço” e questionando sua credibilidade econômica.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não poupou críticas ao presidente argentino, Javier Milei, após as recentes declarações do líder sul-americano no Brasil. Durigan classificou Milei como um “palhaço” e rebateu as críticas direcionadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
As declarações de Milei ocorreram durante um evento do PL em São Paulo, onde o presidente argentino atacou o sistema político brasileiro. Em resposta, Durigan destacou a **superioridade econômica do Brasil** em comparação com a Argentina, citando indicadores como inflação, balança comercial e safra.
“O palhaço do presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil, quando o risco país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação é muito mais alta”, declarou Durigan em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco. A fala do ministro marca um **escalada na tensão diplomática** entre os dois países, evidenciando as profundas divergências políticas e econômicas.
Durigan também minimizou as previsões pessimistas sobre a economia brasileira, alertando para que não se acredite em discursos apocalípticos. Ele reconheceu os desafios existentes, como os juros altos que afetam diversos setores, mas ressaltou que o governo está focado em soluções, em vez de se deixar levar por narrativas negativas. A **recuperação econômica brasileira** tem sido mais resiliente do que muitos previam.
Críticas de Milei e Reação Brasileira
Durante seu discurso, Javier Milei proferiu insultos contra o ministro Alexandre de Moraes, chamando-o de “lixo careca”, e contra o presidente Lula, referindo-se a ele como “presidiário”. Milei associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a um movimento de avanço de governos de direita na América Latina. Essas falas provocaram uma **reação imediata do Itamaraty**, que convocou os embaixadores dos dois países para esclarecimentos, um sinal forte nas relações bilaterais.
Brasil como Parceiro Estratégico e Auxiliador da Argentina
Apesar das desavenças políticas, a Argentina se mantém como o **terceiro maior parceiro comercial do Brasil**, atrás apenas de China e Estados Unidos. Em 2023, as exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 18,1 bilhões, um aumento de 31,4% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente pelos setores automotivo e industrial. A **indústria de transformação brasileira** registrou um recorde histórico de exportações, com parte significativa desse crescimento atribuída ao mercado argentino.
Historicamente, o Brasil tem sido um **porto seguro para a Argentina** em momentos de crise. O país vizinho já recorreu ao Brasil para evitar calotes internacionais, colapsos logísticos e desabastecimento energético. Um exemplo recente foi o pedido de gás natural em meio a uma onda de frio, no qual a Petrobras, com interferência dos ministérios brasileiros, liberou um carregamento de urgência. Em outra ocasião, o Brasil atuou politicamente para viabilizar um empréstimo de US$ 1 bilhão para a Argentina junto ao CAF, evitando um calote técnico com o FMI.
Comparativo Econômico e Projeções
Durigan enfatizou que, enquanto a Argentina enfrenta um **risco país elevado**, dívida pública e inflação altas, o Brasil demonstra uma trajetória de **estabilidade e crescimento**. A queda no desmatamento e a expressiva safra agrícola são outros pontos destacados pelo ministro como evidências da **força da economia brasileira**.
O ministro também alertou para a importância de **desconfiar de previsões excessivamente pessimistas** sobre o desempenho do país. Segundo Durigan, embora os desafios como os juros altos persistam, eles não devem ofuscar os avanços e o potencial de recuperação que o Brasil vem demonstrando. A **gestão econômica brasileira** busca equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento.