Durigan: Dívidas são "naturais e boas" se bem geridas, revela ministro sobre nova versão do Desenrola

Durigan: Dívidas são “naturais e boas” se bem geridas, revela ministro sobre nova versão do Desenrola

Resumo

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende gestão responsável do crédito e detalha o Desenrola 2.0.

Em participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou a nova abordagem do governo para lidar com o endividamento das famílias brasileiras. Ele destacou que o programa Desenrola 2.0 foi aprimorado com base nas lições aprendidas com a primeira versão, visando maior eficácia e acessibilidade.

Durigan enfatizou que possuir dívidas não é inerentemente negativo, mas sim uma parte natural da economia. O ponto crucial, segundo ele, reside na forma como essa dívida é administrada, considerando fatores como o valor, os juros, o prazo e a capacidade de pagamento do indivíduo.

“Não é ruim ter dívida. Dívida faz parte da nossa economia, é natural e é bom que a gente faça dívida. O importante é fazer bem a gestão da sua dívida: o quanto você se endivida, que tipo de juros você toma, qual o prazo, e agora, no Desenrola 2, nós estamos muito atentos a isso”, afirmou o ministro. A nova versão do programa busca, portanto, promover uma relação mais saudável com o crédito, conforme divulgado pelo ministro.

Simplificação e protagonismo dos bancos no Desenrola 2.0

Uma das principais inovações do Desenrola 2.0 é a mudança na forma como os bancos participarão. Diferentemente da primeira versão, onde os endividados participavam de uma espécie de leilão do saldo devedor através de intermediários, agora serão os próprios bancos interessados na renegociação que buscarão ativamente os potenciais beneficiários. Essa medida visa agilizar o processo e torná-lo mais direto.

BC e STF reforçam medidas de proteção ao consumidor endividado

Em sintonia com a nova fase do Desenrola, o Banco Central (BC) lançou uma série de resoluções que obrigam as instituições financeiras a fornecerem informações claras sobre saldos devedores, direitos dos consumidores e conteúdos de educação financeira. Paralelamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou uma adição ao Código de Defesa do Consumidor (CDC) que estabelece o conceito de “mínimo existencial”, um valor essencial para a sobrevivência que não pode ser utilizado para o pagamento de dívidas.

Bloqueio de apostas e mecanismos contra a inadimplência no programa

O ministro Durigan também detalhou a inclusão de um mecanismo para bloquear o acesso de participantes do Desenrola 2.0 a plataformas de apostas online. Ao aderir ao programa, o cidadão autorizará sua autoexclusão de todas as bets regularizadas no país, facilitando o controle de gastos. Essa medida visa auxiliar aqueles que buscam sair de vícios que contribuem para o endividamento.

Para evitar a inadimplência dentro do próprio Desenrola 2.0, o ministro explicou que a saída da negativação só ocorrerá após o pagamento integral do acordo ou, no mínimo, da primeira parcela. O atraso em qualquer pagamento implicará na volta do nome aos cadastros de devedores. Contudo, Durigan expressou otimismo, acreditando que os **descontos significativos e os juros baixos** oferecidos pelo programa desestimularão a inadimplência, tornando a quitação das dívidas uma opção vantajosa para os beneficiários.

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