Segundo turno das eleições presidenciais no Peru é marcado por incidentes e denúncias de adulteração de cédulas, gerando tensão no país sul-americano.
O segundo turno das eleições presidenciais no Peru, disputado entre Keiko Fujimori, da direita, e Roberto Sánchez, da esquerda, foi palco de pelo menos quinze incidentes reportados em todo o país. As ocorrências incluem desde cédulas marcadas irregularmente até tentativas de invadir seções eleitorais, segundo relatório divulgado pelo presidente da Junta Nacional Eleitoral (JNE), Roberto Burneo.
Medidas imediatas foram tomadas para corrigir as irregularidades, como a substituição das cédulas comprometidas. O presidente da JNE enfatizou que esses incidentes, na maioria ocorridos em Lima, não invalidam as seções eleitorais e que apenas o JNE tem competência para tal declaração, após análise das alegações de nulidade.
Apesar das denúncias e da detecção de uma “nova tática que beira a fraude” pela Defensoria Pública, com cédulas pré-marcadas, Burneo rejeitou qualquer narrativa de fraude por parte das autoridades. Ele pediu calma e responsabilidade a todos os atores políticos, ressaltando que o processo segue em absoluta regularidade e que os Júris Eleitorais Especiais investigarão as irregularidades reportadas.
Incidente com Detenção e Acusações Mútuas
Um dos casos que chamou atenção foi a detenção de Oracio Rafaile Huamayalli, de 81 anos, com credencial de representante partidário, portando cédulas adulteradas em uma seção eleitoral diferente da sua credenciação. O partido Juntos pelo Peru, que apoia Sánchez, informou que o idoso detido teria filiação ao partido Aprista e que constava como representante em outro local.
Pesquisas de Boca de Urna Indicam Empate Técnico
As pesquisas de boca de urna divulgadas indicam um empate técnico entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. A Ipsos aponta 50,7% para Fujimori contra 49,3% para Sánchez, enquanto a Datum mostra 50,53% para Fujimori e 49,47% para Sánchez. A margem de erro de 3% em ambas as pesquisas torna o resultado ainda incerto.
Mais de 27 Milhões de Eleitores e Instabilidade Política Histórica
Mais de 27,3 milhões de peruanos estavam aptos a votar para definir quem governará o país até 2026. O eleito será o nono presidente em dez anos, reflexo da intensa instabilidade política que o Peru tem vivenciado, marcada por sucessivos processos de impeachment presidencial iniciados pelo Parlamento.
Autoridades Pedem Calma e Aguardam Resultados Oficiais
O presidente da JNE, Roberto Burneo, reiterou o apelo por calma e responsabilidade, pedindo que todos aguardem os resultados oficiais. Ele rejeitou firmemente qualquer alegação de fraude generalizada, afirmando que as medidas cabíveis estão sendo tomadas para apurar as irregularidades pontuais. A autoridade eleitoral ressaltou que não é possível, de forma irresponsável, classificar os incidentes como fraude sem a devida investigação pelos Júris Eleitorais Especiais.