Erika Hilton denuncia Ratinho e SBT ao Ministério Público Federal por transfobia
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma representação no Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (12) contra o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, e o SBT. A ação se baseia em falas consideradas transfóbicas proferidas pelo comunicador durante seu programa de televisão.
As declarações de Ratinho ocorreram em resposta à eleição de Erika Hilton como presidente da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados, em 11 de outubro. O apresentador questionou a legitimidade da deputada para ocupar o cargo, negando sua identidade de gênero e associando a condição de mulher a características biológicas específicas.
A representação alega que o discurso de Ratinho, veiculado em um canal de grande audiência, legitima a discriminação e agrava a vulnerabilidade social da população trans e travesti. Erika Hilton busca, além de uma retratação pública, uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Ratinho questiona identidade de gênero de Erika Hilton
Durante o programa, Ratinho expressou explicitamente sua discordância com a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher. Ele afirmou que, a seu ver, a deputada “não é mulher, ela é trans” e questionou se ela entenderia os desafios de “uma pessoa que nasceu mulher”, citando a necessidade de ter útero e menstruar para ser considerada mulher.
“Não achei muito justo, não. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans, a Erika Hilton? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans. Mas se tem outras mulheres…”, declarou Ratinho, em trecho que circulou nas redes sociais. O apresentador complementou, mencionando a dor do parto como um fator distintivo.
Pedido de indenização e retratação
Na representação ao MPF, Erika Hilton argumenta que as falas de Ratinho ultrapassam a ofensa individual e atingem a comunidade trans de forma coletiva. Por isso, solicita que o apresentador e a emissora sejam condenados a pagar uma indenização de R$ 10 milhões.
O valor, caso concedido, seria destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, para apoiar projetos e organizações que atuam na defesa de mulheres trans, travestis e cisgênero vítimas de violência de gênero. Adicionalmente, Hilton pede que Ratinho e o SBT veiculem uma retratação pública com duração e horário equivalentes à fala considerada discriminatória.
Outras reações e posicionamento do apresentador
A deputada Duda Salabert (PDT-MG) também se manifestou sobre o caso, classificando as falas de Ratinho como “transfobia” e anunciando que acionaria o Ministério Público e processaria o apresentador. Ela ressaltou que tais declarações possuem uma “dimensão coletiva” e atacam toda a comunidade de travestis e transexuais.
A Gazeta do Povo buscou contato com o MPF para confirmar o recebimento da denúncia e com a assessoria de Ratinho, mas não obteve retorno até o momento. Em um trecho divulgado nas redes sociais, o próprio Ratinho chegou a mencionar a possibilidade de ser processado por Erika Hilton, afirmando que não disse nenhuma mentira e que ela estaria “tomando o lugar de uma mulher”.