Operação “Zona Cinzenta” mira Jocildo Lemos, presidente da Amapá Previdência, indicado por Davi Alcolumbre, em investigação de R$ 400 milhões.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta no Amapá, direcionando suas investigações para Jocildo Lemos, presidente da Amapá Previdência. Lemos, que é uma indicação política do senador Davi Alcolumbre, está sob escrutínio por sua suposta participação em investimentos suspeitos que somam R$ 400 milhões, realizados no Banco Master.
A investigação apura a aplicação de vultosos recursos do fundo de pensão dos servidores do Amapá em títulos do Banco Master, mesmo diante de alertas de risco emitidos por órgãos de controle. A rapidez com que as operações foram aprovadas, em menos de 20 dias, levanta sérias suspeitas sobre a gestão desses valores.
Este caso ganha contornos políticos significativos devido às conexões de Jocildo Lemos com o senador Davi Alcolumbre, que indicou Lemos para a presidência da Amapá Previdência. Além disso, Lemos já atuou como tesoureiro em campanhas eleitorais do senador. Conforme informação divulgada pela fonte do conteúdo, o irmão de Alcolumbre, Alberto, também compõe o conselho fiscal do fundo, evidenciando uma rede de proximidade que agora está sob os holofotes da justiça.
Investigação foca em aplicações financeiras de alto risco
A Polícia Federal investiga três aplicações financeiras que totalizam aproximadamente R$ 400 milhões do fundo de previdência dos servidores do Amapá. O foco está na suspeita de gestão fraudulenta e temerária, uma vez que os investimentos foram liberados em um curto período, contrariando pareceres técnicos e alertas de órgãos fiscalizadores.
O montante investido representa quase 5% do patrimônio total do fundo, o que agrava a preocupação com a segurança desses recursos. A aprovação das aplicações ocorreu apesar de o Banco Master já ser alvo de questionamentos por parte de órgãos de controle, indicando uma possível negligência ou má-fé na tomada de decisão.
Alerta de órgãos de controle ignorado em aprovação de investimentos
A aprovação dos investimentos é considerada suspeita por diversos fatores, incluindo a velocidade incomum com que foram concretizados. A decisão contrariou diretamente os alertas emitidos pelo Ministério Público Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Internamente, houve oposição de dois membros do comitê de investimentos, que registraram ressalvas formais apontando o risco de concentração excessiva de recursos em uma única instituição. Apesar desses pareceres técnicos contrários, as recomendações foram ignoradas, e uma única transação ultrapassou em mais de dez vezes o valor de investimento padrão estabelecido pelo fundo.
Caso intensifica pressão sobre Davi Alcolumbre e CPI do Banco Master
O escândalo no Amapá aumenta a pressão sobre o senador Davi Alcolumbre, que, na posição de presidente do Congresso, tem a prerrogativa de autorizar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master em nível nacional. A oposição já reuniu as assinaturas necessárias para a instauração da CPI.
Acusações de que o senador estaria adiando a decisão sobre a CPI e promovendo uma “operação abafa” ganham força devido às ligações de pessoas próximas a ele com as investigações em curso no Amapá. A situação coloca Alcolumbre em uma posição delicada, sob o escrutínio público e político.
Próximos passos e reações ao escândalo
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Amapá Previdência e na residência de Jocildo Lemos, onde seu celular foi apreendido. No âmbito estadual, um deputado do Amapá já solicitou o afastamento de Lemos e a instauração de uma CPI local para apurar os fatos.
A Amapá Previdência, por meio de nota, declarou ser vítima do Banco Master e que buscará o ressarcimento dos valores aplicados indevidamente. O caso continua a se desenrolar, com desdobramentos que podem impactar tanto o cenário político amapaense quanto as investigações em âmbito nacional sobre o Banco Master.