Sanções Americanas Aumentam Risco para Empresas Brasileiras em Negócios com o Irã
O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, lançou uma estratégia financeira agressiva denominada “Dia D econômico” com o objetivo de sufocar as finanças do Irã. Essa ofensiva se concentra em sanções secundárias, que, apesar de não terem o Brasil como alvo direto, podem impor punições severas a empresas brasileiras que mantêm relações comerciais com o regime iraniano. A meta dos EUA é pressionar aliados e parceiros comerciais a romperem seus laços econômicos com Teerã.
As sanções secundárias funcionam como um mecanismo de pressão internacional. Os Estados Unidos, neste cenário, buscam penalizar não apenas o país sancionado, mas também qualquer entidade estrangeira que continue a negociar com ele. Uma empresa brasileira que exporte para o Irã, por exemplo, corre o risco de ser impedida de acessar o sistema financeiro americano ou de realizar transações na moeda norte-americana. Isso gera o chamado “autossancionamento”, onde empresas, temendo sanções americanas, optam por interromper voluntariamente suas operações comerciais com o Irã.
O agronegócio brasileiro se encontra na linha de frente dos riscos apresentados por essa nova política americana, dada a forte interdependência comercial. O Irã figura como um dos principais compradores de produtos agrícolas brasileiros, como milho, carne bovina e soja. Em 2025, por exemplo, o país asiático adquiriu mais de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil. Embora produtos alimentícios frequentemente gozem de exceções em regimes de sanções, o principal obstáculo reside na logística e nos mecanismos de pagamento. A recusa de grandes bancos globais em processar transações financeiras originárias do Irã, ou a falta de cobertura de seguradoras para embarcações destinadas ao país, podem tornar o comércio economicamente inviável para produtores e exportadores brasileiros.
Setores Críticos Sob Mira Americana e o Impacto Logístico
O Tesouro americano identificou cinco setores estratégicos como focos de sua ofensiva econômica contra o Irã: ativos digitais, tecnologia, ouro, aviação e transporte marítimo. A inclusão do transporte marítimo na lista é particularmente preocupante para o Brasil, pois afeta diretamente a cadeia logística de exportação de grãos. As sanções preveem a restrição total de acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos para qualquer entidade que facilite o fluxo de capital para Teerã nessas áreas, uma medida que pode ser fatal para grandes companhias globais de navegação e bancos de grande porte.
O Dilema Diplomático e Econômico do Brasil
O Brasil se vê em um cenário diplomático complexo. O Irã é membro dos BRICS desde 2024, um bloco que Washington observa com desconfiança. Tradicionalmente, o governo brasileiro tem se posicionado contra sanções unilaterais que não contam com o aval das Nações Unidas. No entanto, o governo Lula enfrenta o desafio de equilibrar a neutralidade diplomática com a necessidade de pragmatismo econômico.
Enquanto Brasília pode manter um apoio político ao Irã, é provável que bancos e tradings privadas, visando evitar perdas financeiras significativas, optem por aderir às normas impostas pelos Estados Unidos. Essa dinâmica pode levar a um distanciamento do setor produtivo nacional em relação ao Irã, em nome da segurança financeira, enquanto o governo busca manter uma postura política distinta. A informação foi apurada pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.