EUA vetam regras obrigatórias para IA, transformando acordo global em sugestões voluntárias
A diplomacia global sobre inteligência artificial (IA) deu um passo importante, mas com força reduzida. Na Índia, 88 países assinaram a “Declaração de Delhi”, um pacto ambicioso sobre como lidar com o avanço acelerado da IA. No entanto, o acordo perdeu seu caráter obrigatório após a resistência dos Estados Unidos.
A decisão de tornar as diretrizes “voluntárias e não vinculantes” foi um ponto crucial. Isso significa que cada nação pode decidir se segue ou ignora os compromissos firmados, transformando o que seria um marco regulatório em uma mera carta de intenções. A postura americana priorizou a autonomia estratégica na corrida tecnológica.
A divergência de visões ficou clara: enquanto líderes como o presidente brasileiro Lula, o francês Emmanuel Macron e o indiano Narendra Modi defendiam regras globais rígidas para evitar o uso autoritário e a concentração de poder da IA, os EUA adotaram uma abordagem pragmática, focada em liderar a inovação. Conforme informações divulgadas, o modelo americano prevaleceu.
Divergência entre potências: Regras firmes versus autonomia tecnológica
A “Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026”, realizada na Índia, reuniu chefes de Estado, executivos de tecnologia e representantes de entidades internacionais. O objetivo era debater o impacto da IA, uma tecnologia que avança em um ritmo superior à capacidade de regulamentação dos governos. O presidente Lula e Emmanuel Macron foram vozes ativas na defesa de um controle mais estrito.
Eles argumentaram que a falta de regulamentação poderia levar a usos autoritários da tecnologia, concentrar poder excessivo nas mãos de poucos e causar danos sociais irreversíveis. A preocupação era com a proteção da sociedade diante do poder crescente da inteligência artificial.
Do outro lado, os Estados Unidos, por meio de seu representante Michael Kratsios, classificaram propostas de regulação mais duras como “cosméticas”. A estratégia de Washington, segundo a fonte, é que o domínio da tecnologia, e não sua restrição, é o caminho para a autonomia e o poder no cenário mundial moderno. A mensagem era clara: quem lidera a inovação, define as regras.
O que propõe a Declaração de Delhi, mesmo sem força legal
Apesar de não possuir caráter obrigatório, a Declaração de Delhi apresenta propostas relevantes. Entre elas, destaca-se a criação de uma plataforma internacional para o compartilhamento de protocolos de segurança em IA. Há também um compromisso em expandir o acesso de países em desenvolvimento à infraestrutura necessária para o avanço da inteligência artificial.
O documento prioriza a aplicação da IA em setores cruciais como medicina e agricultura. Além disso, prevê um plano de ação para lidar com os efeitos da automação em massa no mercado de trabalho nos próximos cinco anos, buscando mitigar os impactos negativos da inteligência artificial.
Investimentos bilionários e nomes de peso na cúpula sobre IA
O evento na Índia não apenas discutiu o futuro da inteligência artificial, mas também atraiu investimentos significativos. Cerca de US$ 300 bilhões em investimentos foram anunciados durante os cinco dias de conferência. A cúpula reuniu algumas das figuras mais influentes do setor de tecnologia global.
Participaram nomes como Sam Altman, líder da OpenAI, empresa por trás do ChatGPT, Demis Hassabis, CEO do laboratório de IA do Google, e Dario Amodei, cofundador da Anthropic, criadora da ferramenta Claude. A presença desses líderes ressalta a importância estratégica e econômica da inteligência artificial no cenário mundial.